Toda vez que alguém em Brasília anuncia uma “conquista trabalhista”, um sino toca no gabinete e um boleto nasce no Brasil real.
A mudança na escala 6 x 1 vem sendo vendida como avanço civilizatório, vitória social, passo histórico. Tudo muito bonito no discurso.
Mas, como sempre, ninguém começa pelo básico:
quem vai pagar a conta?
Porque conta sempre tem.
E nunca sobra pro discurso.
O papel aceita tudo. A realidade, não.
No papel, reduzir dias trabalhados parece simples: mais descanso, mais dignidade, mais qualidade de vida.
Na prática, o Brasil não é feito só de grandes corporações com caixa gordo e margem de sobra.
O Brasil é feito de:
padaria de bairro
mercado pequeno
oficina
restaurante familiar
produtor rural
comércio que vive no limite
Essa gente não imprime dinheiro.
Essa gente fecha a conta no fim do mês na unha.
Trabalha menos… alguém cobre
Se o trabalhador trabalha menos dias, alguém precisa cobrir:
mais contratações
mais horas extras
mais encargos
mais custo fixo
E o empresário pequeno não repassa custo pra planilha ideológica — repassa pra:
o preço do produto
o corte de funcionários
ou o fechamento da porta
Não existe milagre econômico em decreto.
O mito do “empresário malvadão”
Existe um discurso confortável que diz:
“Os empresários que arquem.”
Mas o Brasil real não é feito só de “empresários”.
É feito de gente que abriu negócio porque precisava sobreviver, não porque queria explorar alguém.
Quando o custo sobe demais, o pequeno não absorve — ele quebra.
E quando ele quebra, não sobra direito trabalhista, não sobra escala reduzida, não sobra emprego.
E o consumidor?
Ah… esse sempre paga.
Paga no preço do pão, da carne, do almoço, do serviço.
A conta nunca fica no papel.
Ela vai pro caixa, pro balcão, pro carrinho de mercado.
Quem acha que não vai pagar porque não é patrão está se enganando bonito.
O Estado entra como?
Como sempre:
regulando, anunciando, discursando — e não pagando nada.
O Estado não cobre o custo extra.
Não reduz imposto.
Não simplifica encargos.
Não assume parte do impacto.
Ele decreta… e deixa o povo se virar.
O Brasil já trabalha pouco? Não. Trabalha mal.
O problema do Brasil não é só jornada.
É:
baixa produtividade
carga tributária absurda
burocracia sufocante
insegurança jurídica
Reduzir a escala sem resolver isso é trocar o telhado com a casa pegando fogo.
Quem paga a conta, no fim das contas?
Vamos simplificar, como todos gostam:
o pequeno empresário paga primeiro
o trabalhador paga quando perde emprego
o consumidor paga no preço
e o país paga com menos crescimento
E quem propôs a ideia?
Segue discursando, intacto, bem pago e longe do caixa.
Conclusão.
A pergunta não é se o trabalhador merece descanso.
Merece. Sempre mereceu.
A pergunta é:
quem sustenta a conta sem quebrar o Brasil no meio?
Porque direito sem base econômica vira promessa vazia.
E promessa vazia, meu amigo, é coisa que o povo brasileiro já conhece demais.
Mudança boa é aquela que fecha a conta.
O resto é discurso de palanque — bonito, mas caro.
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