O maior problema do Brasil não é falta de leis, nem excesso de políticos, nem mesmo corrupção —
é um detalhe muito mais simples e mais profundo:
o eleitor ainda não entendeu que é o chefe.
Aqui, o voto virou favor.
O mandato virou propriedade.
E o político, que deveria ser funcionário temporário, passou a se comportar como dono do cargo — com a complacência de quem o colocou lá.
A inversão silenciosa de poder
Em teoria, o sistema é claro:
o eleitor contrata, avalia e demite.
Na prática brasileira, acontece o contrário:
o eleitor se comporta como súdito,
o político como chefe,
e o Estado como um ente inalcançável, quase místico.
Questionar vira “perseguição”.
Cobrar vira “radicalismo”.
Exigir resultado vira “ódio”.
Enquanto isso, a mediocridade se reelege com discurso pronto e promessa reciclada.
O voto como cheque em branco
O erro não está apenas em votar mal —
está em sumir depois do voto.
No Brasil, muitos eleitores entregam o poder a cada quatro anos e depois aceitam tudo calados:
E seguem defendendo o político como se fosse parente.
Funcionário não se defende.
Funcionário se cobra.
A infantilização do eleitor
Criou-se uma cultura confortável:
o político promete,
o eleitor acredita,
o tempo passa,
nada acontece,
e a culpa é sempre “do sistema”, “do Congresso”, “do passado”, “da herança”.
Nunca do mandatário.
Nunca de quem escolheu.
Enquanto o eleitor aceitar esse papel passivo, continuará sendo tratado como plateia — não como patrão.
Quando o medo muda de lado
As coisas começam a mudar quando o político passa a temer o eleitor, e não o contrário.
Quando entende que:
Nenhum discurso é mais poderoso do que um eleitor consciente com memória ativa.
Democracia não é torcida
Democracia não é defender político como time de futebol.
Não é relativizar erro “porque é do meu lado”.
Não é aplaudir fracasso com medo de dar razão ao adversário.
Democracia é simples e dura:
entregou pouco, sai.
prometeu demais, responde.
errou, paga.
Sem drama.
Sem idolatria.
Conclusão: o dia em que tudo muda
O Brasil começa a mudar no dia em que o eleitor entender, de verdade, que:
-
ele não deve nada a político algum
-
gratidão não substitui competência
-
voto não é favor — é ferramenta de controle
Quando isso acontecer, não será preciso salvador da pátria, nem discurso inflamado, nem promessa milagrosa.
Bastará o básico:
o chefe cobrando resultado do funcionário.
E funcionário que não entrega…
é demitido.
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