Mais uma polêmica entra em campo na relação homem x mulher no trabalho. A bola da vez: Romário e Fernanda Gentil.
Segundo os debates que tomaram as redes, o ex-jogador teria sido “deselegante” ao comentar com a apresentadora que o resultado de Brasil x Marrocos era normal, dada a qualidade dos adversários. A fala foi rotulada por parte do público como machista.
E aqui mora o problema que já saiu das quatro linhas do futebol.
Discordar virou ofensa?
Explicar um ponto de vista técnico, questionar uma análise ou simplesmente discordar passou a ser enquadrado automaticamente como misoginia. Não importa o argumento, não importa o contexto. Se um homem corrige, complementa ou contraria a fala de uma mulher, o cartão vermelho vem na hora.
A régua mudou. Antes, debate era debate. Hoje, se a discordância parte de um homem para uma mulher, o risco de ser cancelado, exposto e até processado é real.
O novo manual de sobrevivência corporativa
Se qualquer observação masculina sobre o trabalho de uma colega pode ser interpretada como ataque de gênero, qual é a saída?
Simples: o silêncio.
Se o preço de opinar é ter a carreira e a reputação destruídas por uma interpretação maliciosa, então a regra do jogo precisa ser outra. Na dúvida, não fale. Não debata. Não contribua.
E se a tendência continuar, a solução lógica aparece sozinha: que os debates, reuniões e análises sejam feitos apenas por mulheres. Se a presença masculina já é um passivo jurídico por natureza, então que os homens se recusem a participar. É proteção.
O mundo está ficando perigoso para os homens
Não é vitimismo. É gestão de risco.
Empresas já treinam equipes para evitar qualquer interação que possa ser lida como assédio. Colegas já pensam duas vezes antes de elogiar, corrigir ou até cumprimentar. O ambiente que deveria ser de troca virou um campo minado.
Quando discordar vira sinônimo de agredir, o diálogo morre. E sem diálogo, não existe equipe, não existe projeto, não existe resultado.
Se a regra é que homem não pode questionar mulher sob pena de linchamento público, então que se assuma logo: o debate morreu. E que cada lado trabalhe sozinho.
Porque do jeito que está, participar virou cilada. E ninguém é obrigado a entrar em campo sabendo que o juiz já marcou o pênalti antes do jogo começar.