segunda-feira, 12 de outubro de 2026

QUEM TEM CERTEZA DA PRÓPRIA JUSTIÇA NÃO IMPLORA POR TRÉGUA NA HORA DA GUERRA

Há momentos em que a política deixa de ser apenas uma disputa por votos e passa a revelar algo muito mais profundo: a relação entre o poder, a Justiça e o medo de perder o controle.

O resultado de uma eleição pode produzir muitas surpresas. Pode mudar a composição do Congresso, alterar correlações de força, fortalecer grupos antes tratados como minoritários e enfraquecer certezas que pareciam inabaláveis. É a democracia funcionando. O eleitor vota, escolhe, rejeita e, de tempos em tempos, lembra aos poderosos que nenhum mandato é eterno e nenhum poder está acima da sociedade.

Foi nesse ambiente que surgiram notícias sobre movimentos de aproximação e pedidos de trégua nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, depois do avanço eleitoral da direita. A imprensa noticiou mudanças de postura, articulações para reduzir tensões e a preocupação de integrantes da Corte com a nova correlação de forças políticas.

Não se deve confundir uma tentativa de diálogo institucional com uma confissão de culpa. Nem todo pedido de serenidade esconde medo, assim como nem toda decisão judicial controversa representa perseguição. A Justiça precisa de equilíbrio, e as instituições precisam conversar.

Mas existe uma pergunta incômoda que não pode ser evitada:

Se as decisões são justas, se os procedimentos são legítimos e se a consciência institucional está tranquila, por que o resultado das urnas deveria mudar a disposição de enfrentar as próprias controvérsias?

Aí começa a verdadeira discussão.

A Justiça não pode depender do tamanho da bancada

A Justiça existe justamente para não depender da popularidade de quem está sendo julgado.

Se alguém cometeu um crime, deve responder por ele, seja de direita, de esquerda ou de qualquer outra orientação política. Se alguém é inocente, deve ter seus direitos respeitados, independentemente de quantos votos seus aliados receberam nas urnas.

Esse deveria ser o princípio mais elementar de uma democracia madura.

O problema começa quando a sociedade passa a desconfiar de que o rigor pode variar conforme o lado político do investigado, ou de que a disposição para determinadas medidas muda conforme a composição do Congresso e o risco de consequências institucionais.

A Justiça não pode ser um instrumento de vingança política. Tampouco pode parecer um instrumento de proteção política.

E há uma diferença enorme entre essas duas coisas e a aplicação imparcial da lei.

Uma Justiça verdadeiramente independente não teme a direita, não teme a esquerda e não precisa agradar a nenhuma delas. Teme apenas deixar de ser Justiça.

Quando o vento muda, algumas certezas desaparecem

Durante muito tempo, parte do debate público brasileiro foi marcada pela sensação de que determinadas decisões do Supremo eram praticamente incontestáveis, e de que questioná-las significava, por si só, afrontar as instituições.

Mas nenhuma instituição democrática deveria exigir imunidade à crítica.

Ministros do Supremo não são inimigos da democracia por serem questionados. Também não se tornam donos da verdade por ocuparem a mais alta Corte do país.

São autoridades investidas de uma responsabilidade extraordinária. E, justamente por isso, precisam estar submetidas a um padrão extraordinário de transparência, fundamentação e responsabilidade.

O respeito às instituições não exige silêncio diante delas. Exige que as críticas sejam feitas com responsabilidade, que os fatos sejam apurados e que as regras sejam respeitadas por todos.

Se uma decisão é correta, que seja defendida pelos seus fundamentos jurídicos. Se uma investigação é necessária, que prossiga conforme a lei. Se há abuso, que seja apurado. Se há inocência, que seja reconhecida.

O que não combina com uma democracia saudável é a ideia de que a correlação de forças políticas deva determinar quem pode ser investigado, quem merece proteção ou quem deve receber tratamento mais brando.

A lei não pode ser severa quando os adversários estão fracos e conciliadora quando os adversários começam a conquistar poder.

Trégua para quem?

A palavra trégua tem uma beleza própria. Ela pode significar prudência, pacificação, maturidade e disposição para impedir que um conflito destrua aquilo que ainda pode ser preservado.

Mas também pode despertar desconfiança.

Na guerra, uma trégua pode servir para salvar vidas. Na política, pode evitar que disputas institucionais ultrapassem limites perigosos. No entanto, quando envolve autoridades responsáveis por julgar e fiscalizar a aplicação da lei, é legítimo perguntar qual é o seu propósito.

Trégua para preservar a estabilidade institucional?

Ou trégua para ganhar tempo, reorganizar forças e evitar que determinadas questões avancem em um momento desfavorável?

Não temos o direito de escolher a resposta antes de conhecer os fatos. Mas temos o dever de fazer a pergunta.

Porque a confiança pública não nasce de acordos secretos, de gestos calculados ou de mudanças de tom que ninguém consegue explicar. Nasce da coerência entre aquilo que as autoridades dizem defender e aquilo que efetivamente fazem.

Se há razões legítimas para uma mudança de postura, que sejam apresentadas. Se há conflitos que precisam ser resolvidos, que sejam enfrentados de maneira transparente. Se existem suspeitas fundamentadas sobre qualquer autoridade, que sejam apuradas com independência e devido processo legal.

A credibilidade não se recupera pedindo que a sociedade esqueça. Recupera-se oferecendo razões para que ela volte a confiar.

A urna não condena, mas também não pode ser ignorada

É preciso dizer algo que vale para todos os lados: uma eleição não absolve ninguém, não condena ninguém e não substitui o trabalho dos tribunais.

Votos não são sentenças judiciais.

Entretanto, os resultados eleitorais podem expressar insatisfação, rejeição, esperança ou desejo de mudança. Ignorar completamente esses sinais seria um erro político. Interpretá-los como autorização para perseguir adversários seria um erro democrático ainda maior.

O avanço eleitoral de um campo político não deve produzir vingança. Deve produzir reflexão.

Se uma parcela expressiva da população deseja mudanças na relação entre os Poderes, cabe aos representantes eleitos discutir essas mudanças dentro das regras constitucionais. Cabe às instituições ouvir as críticas legítimas sem se curvar a ameaças. E cabe a todos compreender que a democracia não pertence a um grupo, a um partido ou a uma corrente ideológica.

Pertence aos cidadãos.

A mesma regra precisa valer para quem ganha e para quem perde. Hoje, uma maioria pode favorecer a direita. Amanhã, outra pode favorecer a esquerda. Se aceitarmos que a força política determine a intensidade da Justiça, estaremos construindo um sistema no qual ninguém estará verdadeiramente protegido.

Porque o poder muda de mãos. A lei, não deveria.

Quem não deve explicações à própria consciência?

Existe uma diferença entre querer a paz e precisar de uma trégua.

Quem quer a paz pode sentar à mesa, dialogar, rever posições e construir pontes sem abrir mão dos princípios. Quem precisa desesperadamente de uma trégua talvez esteja tentando impedir que alguma coisa venha à tona — embora somente os fatos possam demonstrar se essa suspeita tem fundamento.

É por isso que as circunstâncias importam. É por isso que a transparência importa. E é por isso que a sociedade não deve aceitar nem condenações antecipadas nem absolvições automáticas.

Não precisamos transformar ministros em vilões para exigir explicações. Não precisamos tratar a direita como vítima de todas as circunstâncias para defender o direito de seus integrantes a julgamentos justos. Não precisamos escolher um lado para exigir que a lei seja aplicada a todos.

Precisamos apenas compreender que nenhuma autoridade está acima da responsabilidade que acompanha o poder que exerce.

E talvez seja justamente aí que reside o maior desafio do Brasil: aprender a distinguir o respeito às instituições da submissão a seus integrantes.

Instituições fortes não são aquelas que nunca são questionadas. São aquelas que conseguem responder aos questionamentos sem destruir quem pergunta.

A Justiça não precisa demonstrar força perseguindo adversários. Precisa demonstrar imparcialidade tratando todos segundo os mesmos princípios.

Não precisa temer a mudança do cenário político. Precisa continuar fazendo o que é correto, mesmo quando esse cenário muda.

Porque, quando a Justiça é justa, a alternância de poder não representa uma ameaça. Representa apenas a democracia seguindo seu curso.

E chegamos, então, à pergunta que deveria acompanhar qualquer autoridade, independentemente de sua posição ou de sua ideologia:

Se as minhas decisões são justas, por que eu precisaria temer que sejam examinadas?

A resposta não está na quantidade de votos de quem me apoia, nem na força política de quem me critica. Está na lei, nos fatos, nas provas e na consciência de ter agido corretamente.

Por isso, a frase que dá sentido a esta reflexão permanece de pé:

Quem tem certeza da própria justiça não implora por trégua na hora da guerra.

Quem tem razão apresenta seus fundamentos. Quem age dentro da lei aceita o escrutínio. E quem ocupa uma posição de poder deveria compreender que a autoridade pode até exigir respeito, mas a confiança precisa ser conquistada.

No fim das contas, a Justiça não deveria perguntar quem está vencendo a guerra política.

Deveria perguntar se está fazendo justiça.

Porque o verdadeiro teste da independência não acontece quando todos concordam conosco. Acontece quando o mundo muda ao nosso redor — e nós continuamos fiéis aos princípios que juramos defender.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

DANIEL VORCARO NÃO DEVERIA ESTAR PRESO

Daniel Vorcaro não deveria estar preso.

Deveria estar viajando pelo Brasil.

Lotando auditórios.

Vendendo ingressos.

Dando palestras.

Talvez até recebendo certificado de honra ao mérito.

Porque, se tudo aquilo que vem sendo revelado nas investigações se confirmar, estamos diante de um caso que merece ser estudado não apenas nos tribunais, mas também nas escolas de administração, ciência política e, quem sabe, nos cursos de marketing de influência.

O homem teria descoberto uma fórmula extraordinariamente eficiente:

aproxime-se de quem tem poder, entenda o que cada um deseja e faça as conexões certas.

O resultado?

Um banco.

Bilhões.

Políticos.

Advogados.

Autoridades.

Negócios.

Jatinhos.

Hotéis.

Reuniões.

Contratos milionários.

E uma agenda de relacionamentos que, olhando o que já veio a público, parece ter atravessado boa parte das estruturas de poder do país.

A Polícia Federal encontrou mensagens que mostram relações próximas de Vorcaro com políticos, advogados e autoridades. Há registros de contatos com integrantes dos três Poderes e até informações sobre acessos e relações dentro de órgãos públicos. Em um dos casos mais graves apontados pela investigação, a PF afirmou que dois servidores do Banco Central teriam recebido pagamentos e vantagens indevidas, além de terem repassado informações sigilosas ao grupo do banqueiro.

E não estamos falando apenas de gente que apertava a mão dele em um evento.

Há contratos milionários com escritórios de advocacia ligados a pessoas do círculo de autoridades. Há mensagens com parlamentares. Há relações empresariais. Há encontros. Há negócios. Há gente que o chamava de “irmão”, “amigo” e até “irmãozão”.

O próprio Palácio do Planalto registrou pelo menos três entradas de Vorcaro em 2023 e 2024 que não constavam das agendas oficiais divulgadas.

E há outro detalhe que talvez seja o mais impressionante de todos.

Ele não precisava necessariamente comprar todo mundo.

Bastava criar relações.

Oferecer acesso.

Abrir portas.

Proporcionar oportunidades.

Resolver problemas.

Estar perto.

E deixar que cada pessoa decidisse o que fazer com aquilo.

É aí que a história deixa de ser apenas sobre Daniel Vorcaro.

Porque um homem sozinho não constrói uma rede desse tamanho.

Uma rede só existe quando existem fios dos dois lados.

E talvez essa seja a verdadeira aula que o caso Master está dando ao Brasil.

Não é sobre a genialidade de um homem.

É sobre a fragilidade de um sistema diante de dinheiro, influência, vaidade, ambição e proximidade com o poder.

Vorcaro teria entendido uma coisa que muita gente demora uma vida para descobrir:

pessoas podem ser mais valiosas do que dinheiro quando essas pessoas têm poder para abrir portas.

E quando o dinheiro encontra o poder, nasce uma relação que precisa ser observada com lupa.

Não porque toda relação seja ilegal.

Não porque todo encontro seja corrupção.

Não porque toda amizade seja um crime.

Mas porque, quando milhões de reais, autoridades públicas, decisões institucionais e interesses privados começam a aparecer na mesma fotografia, a sociedade tem o direito de perguntar:

o que exatamente estava acontecendo aqui?

E essa pergunta não pode ser tratada como perseguição.

Perguntar não condena ninguém.

Investigar não condena ninguém.

Transparência não condena ninguém.

Quem não deve, em tese, não deveria temer que as perguntas sejam feitas.

E talvez seja justamente por isso que o caso seja tão desconfortável.

Porque, se as investigações continuarem revelando o que já apareceu até agora, Vorcaro não terá apenas deixado um problema financeiro.

Terá deixado um retrato bastante incômodo de como relações pessoais podem se aproximar perigosamente das estruturas de poder.

E aí volto ao começo.

Daniel Vorcaro não deveria estar preso.

Deveria estar dando curso.

“Como transformar contatos em influência.”

“Como circular entre poder público e poder econômico.”

“Como criar uma rede de relacionamentos.”

“Como fazer com que pessoas poderosas atendam suas ligações.”

“Como chegar a lugares onde quase ninguém chega.”

Seria um sucesso.

Provavelmente esgotaria os ingressos.

Só haveria um pequeno problema com o certificado no final:

ninguém saberia se estava diante de um curso de empreendedorismo ou de uma aula prática sobre os riscos de uma República quando seus mecanismos de poder começam a se misturar demais com interesses privados.

E talvez essa seja a maior ironia de toda essa história.

Daniel Vorcaro pode acabar deixando de ser lembrado apenas pelo Banco Master.

Pode acabar sendo lembrado como o homem que mostrou, de maneira quase didática, até onde alguém consegue chegar quando dinheiro, relações e poder encontram as portas certas.

E agora cabe às investigações descobrir uma coisa muito mais importante:

quantas dessas portas foram abertas por amizade, quantas por interesse e quantas jamais deveriam ter sido abertas.

domingo, 27 de setembro de 2026

sábado, 19 de setembro de 2026

GERAÇÃO Z DO NEPAL, O BRASIL É LOGO ALI

Existe uma geração que está chegando ao mundo adulto com uma característica curiosa:

ela não parece disposta a esperar sua vez.

Nasceu conectada.

Aprendeu a conversar com o mundo antes mesmo de aprender a conversar com a política.

Não conhece fronteiras como conhecíamos.

Para ela, Kathmandu pode estar tão perto quanto São Paulo.

Tóquio pode caber na tela do celular.

E uma indignação que começa numa rua do outro lado do planeta pode chegar à nossa sala de estar em segundos.

Foi assim que o mundo descobriu, em 2025, que a Geração Z do Nepal tinha alguma coisa a dizer.

E falou alto.

O que começou como reação à proibição de redes sociais rapidamente se transformou em algo maior.

Os jovens nepaleses passaram a questionar corrupção, desigualdade, privilégios e a forma como o país era governado.

Não era simplesmente uma discussão sobre Facebook, Instagram ou YouTube.

Era sobre voz.

Sobre participar.

Sobre não aceitar que decisões tomadas nos gabinetes determinassem silenciosamente o futuro de quem ainda está começando a viver.

E talvez seja justamente aí que esteja a parte mais interessante dessa história.

A tecnologia foi apenas a ferramenta.

A insatisfação já estava dentro das pessoas.

E então vem a frase que dá título a este artigo:

Geração Z do Nepal, o Brasil é logo ali.

Não é um convite para copiar o Nepal.

Não é uma defesa de violência.

Aliás, a violência que marcou parte daqueles acontecimentos deixou mortos e feridos e também foi alvo de denúncias de uso excessivo da força por parte das autoridades.

O que merece ser observado é outra coisa.

A capacidade de uma geração de dizer: “Nós também queremos participar da conversa.”

E isso interessa a qualquer país.

Inclusive ao Brasil.

Talvez o maior erro que uma sociedade possa cometer seja olhar para seus jovens e enxergar apenas alguém que ainda não viveu o suficiente.

Sim, eles ainda têm muito a aprender.

Mas também têm algo que muitas vezes perdemos com o tempo:

a impaciência diante do absurdo.

O adulto se acostuma.

O jovem pergunta:

“Por quê?”

O adulto responde:

“Porque sempre foi assim.”

E o jovem pergunta novamente:

“Mas por quê?”

Talvez seja assim que algumas mudanças começam.

O Brasil tem uma população jovem enorme.

E essa juventude está crescendo num mundo completamente diferente daquele em que cresceram seus pais e avós.

Ela recebe informação em tempo real.

Compara países.

Conhece outras culturas.

Vê como outros povos vivem.

Percebe contradições.

Questiona.

E, principalmente, não aceita com tanta facilidade a velha frase:

“Você ainda não entende como as coisas funcionam.”

Talvez entenda.

Talvez apenas esteja perguntando por que elas precisam funcionar assim.

O curioso é que a Geração Z não precisa necessariamente entrar num partido, ocupar uma tribuna ou disputar uma eleição para produzir mudanças.

Ela pode fazer uma pergunta.

Pode expor uma contradição.

Pode organizar uma comunidade.

Pode criar uma empresa.

Pode desenvolver uma tecnologia.

Pode denunciar um problema.

Pode simplesmente recusar-se a reproduzir determinados comportamentos.

A transformação de uma sociedade nem sempre começa no Parlamento.

Às vezes começa numa conversa.

E hoje uma conversa pode alcançar milhões.

O Nepal nos mostrou algo que merece atenção:

uma geração conectada pode transformar indignação digital em participação real.

Mas também mostrou os perigos.

A velocidade das redes espalha informação e desinformação.

Organiza pessoas, mas também pode acelerar o caos.

Amplifica vozes legítimas e também pode abrir espaço para violência.

Por isso, talvez a verdadeira revolução da Geração Z não seja aprender a gritar mais alto.

Seja aprender a discernir melhor aquilo que merece ser gritado.

E aqui o Brasil entra novamente na história.

Não precisamos de uma Kathmandu brasileira.

Precisamos de cidadãos brasileiros.

Não precisamos importar conflitos.

Precisamos importar perguntas.

Não precisamos copiar respostas.

Precisamos aprender a questionar.

Por que determinadas coisas são assim?

Por que algumas promessas nunca chegam?

Por que determinados problemas atravessam gerações?

Por que nos acostumamos com aquilo que um dia consideramos absurdo?

E, principalmente:

o que estamos deixando para quem vem depois de nós?

Talvez essa seja a grande mensagem escondida naquela juventude nepalesa.

Não é sobre idade.

É sobre disposição.

Disposição para perguntar.

Para participar.

Para exigir transparência.

Para imaginar um futuro diferente.

E isso não pertence à Geração Z.

Pertence a qualquer pessoa que ainda não desistiu de acreditar que as coisas podem melhorar.

Talvez o Brasil esteja mesmo logo ali.

Não geograficamente.

Mas historicamente.

Porque o que acontece numa pequena nação do Himalaia pode funcionar como um espelho para uma nação gigantesca do outro lado do planeta.

Não para dizer:

“Façam igual.”

Mas para perguntar:

“O que vocês estão fazendo com o próprio futuro?”

Essa talvez seja a pergunta que atravessa fronteiras.

A Geração Z do Nepal descobriu que sua voz podia atravessar as paredes dos palácios.

A juventude brasileira talvez ainda esteja descobrindo o tamanho da própria voz.

E nós, que já passamos por algumas décadas desta história, temos uma responsabilidade diferente:

não ensinar os jovens a aceitar o mundo como ele está.

Devemos ensiná-los a melhorá-lo sem destruir aquilo que precisa ser preservado.

A questionar sem odiar.

A discordar sem desumanizar.

A protestar sem transformar o outro em inimigo.

A usar a tecnologia sem ser usado por ela.

E, sobretudo, a entender que liberdade sem responsabilidade pode virar apenas barulho.

Porque talvez o verdadeiro sinal de maturidade de uma geração não seja derrubar aquilo que existe.

Seja ter coragem para perguntar:

“O que podemos construir no lugar?”

Essa é a pergunta que interessa.

E talvez seja por isso que a frase continue ecoando:

Geração Z do Nepal, o Brasil é logo ali.

Não como ameaça.

Não como cópia.

Não como convocação.

Como reflexão.

Porque enquanto alguns ainda acreditam que o futuro pertence a quem já ocupa as cadeiras do poder, existe uma geração inteira descobrindo uma coisa muito simples:

o futuro não é propriedade de ninguém.

Ele é, justamente,

o lugar onde os jovens de hoje irão viver amanhã.

E talvez eles estejam começando a perceber que têm o direito — e a responsabilidade — de ajudar a decidir como esse lugar será.

O Nepal mostrou que uma geração pode acordar.

Agora resta saber quantas outras gerações, em tantos outros lugares do mundo, ainda estão dormindo.

domingo, 13 de setembro de 2026

No Brasil Atual, Neutro é Schampoo

Durante muito tempo nos venderam a ideia de que ser neutro é ser sensato, equilibrado, superior. Mentira. Neutro é shampoo. Na vida real, diante do que está acontecendo com o Brasil, neutro é só um nome bonito para conivente.

Não estamos falando de divergência política normal. Divergência é debater imposto, discutir tamanho do Estado, discordar sobre educação. O que estamos vendo hoje é outra coisa.

Estamos vendo um país sendo saqueado à luz do dia. Escândalo atrás de escândalo, dinheiro público virando moeda de troca, estatais aparelhadas, orçamentos secretos e não tão secretos, e uma impunidade que só funciona para os amigos do poder.

Estamos vendo um País afundado em escândalos morais. Onde o certo virou errado e o errado virou política oficial. Onde quem deveria proteger a Constituição é o primeiro a rasgá-la.

E o mais grave: estamos vendo a perseguição aberta a opositores. Gente sendo censurada, investigada, calada, presa por opinião, enquanto criminosos de verdade são tratados como heróis. Jornalista com medo de escrever, empresário com medo de postar, cidadão comum com medo de comentar no grupo da família. Isso não é democracia. Isso é autoritarismo com fantasia de democracia.

Diante disso tudo, ficar calado não é prudência. É cumplicidade.

Quem vê o roubo e fica calado, ajuda a roubar.

Quem vê a censura e fica calado, ajuda a censurar.

Quem vê a perseguição e diz "não quero me envolver", já se envolveu - do lado do perseguidor.

A história nunca vai lembrar dos neutros como sábios. Vai lembrar como aqueles que viram o barco afundar e, para não se molhar, fingiram que não estava acontecendo nada.

O Brasil não precisa de gente neutra. Precisa de gente com coragem. Coragem para chamar roubo de roubo, censura de censura e perseguição de perseguição, mesmo que isso custe curtidas, contratos ou amizades.

Porque no fim, quando tudo isso passar - e vai passar - não vai adiantar dizer "eu não sabia". Todo mundo sabia. A diferença é que alguns tiveram coragem de falar e outros escolheram o silêncio confortável da conivência.

Neutro é shampoo. Gente de verdade se posiciona.

sábado, 12 de setembro de 2026

Qual Soberania o Brasil pretende defender?

Veja aonde chegamos: um playboy com uma barbichinha de cantor de música mexicana e brilhantina no cabelo, enfiou de uma só vez, todos os poderes institucionais do Brasil, numa lata de lixo.

Não foi um exército. Nem um grupo. 

Foi um homem sozinho. Um cabra que falava “peleleca” para se referir a periquita da namorada.

Ele, com seu iPhone de última geração, um Whatsapp nervoso e vestindo terninhos modelo “Mamãe quero chupeta” colocou Executivo, Legislativo e Judiciário inteiros de joelhos, escancarando a falta de escrúpulos e valores morais pagos com nossos impostos.

Os mesmos vagabundos que querem definir o que eu posso falar, que piada tenho permissão para contar e quanto vão pegar do meu dinheiro, em impostos, para financiar suas festas com charuto e whisky Macallan. 

Nem podemos dizer que é o maior escândalo de corrupção da história do Brasil porque são muitos e o tempo todo. Seria necessário um estudo profundo. Os anões do orçamento, desvio dos aposentados do INSS, Mensalão, Petrolão, Lava Jato e por aí vai.

Um detalhe importante: essa galera não começou a fazer isso ontem. Estão ali faz tempo e são chancelados a cada eleição, para que continuem enfiando e girando a faca em nosso peito e girando. Os que não foram eleitos, foram indicados pelos que foram. São da mesma raça de capivaras.

E a coisa está só começando: Hoje, apareceu até um grupo de Whatsapp de funcionários do Banco Central que vendiam “consultoria” para esse Mauricinho e uma conversa sobre uma festa de arroba com 120 mulheres (só novinhas) – a maioria estrangeiras - com 20 homens. 

O Brasil é o puteiro mais caro do mundo.

Estamos à beira de um colapso financeiro, com os juros mais altos do planeta, inflação crescente, récorde de feminicídios, 82% das famílias endividadas, o maior número da história de moradores de rua, empatados o Líbano em matemática e em ciências com o Azerbaijão (segundo a OCDE), 8 milhões de analfabetos adultos e foi preciso um fanfarrão para colocar essa corja toda pelada, exposta numa vitrine, para que todo mundo visse. São eles que estão nus, mas essa vergonha também é minha. E sua. 

Entenda: Não importa se você escolhe as pedras pretas ou brancas. A verdade é que eles não vão deixar você entender a estratégia do jogo. Você é só um dos peões que eles movem em busca de votos e da permanência do poder.

Isso acontece porque colocaram na cabeça do brasileiro que o voto deve seguir uma ideologia. 

Dane-se se o cara é honesto. 

Dane-se quem melhor pode administrar o dinheiro e as ações públicas.

Dane-se quem tem mais competência. 

Esses senhores não são honestos porque o voto também não é. Vota-se por interesse próprio, vantagens e benefícios particulares e jamais coletivos. Nunca por competência e idoneidade. São eleitos por regras ideológicas que obviamente, são definidas por eles mesmos, como forma de encobrir sua falta de curriculum e competência.

Querem falar de soberania? Que soberania se mal conseguimos punir juizes de suprema corte sabidamente corruptos, expostos agora, mas que todos já sabiam há tempos? Soberania, se canalhas presos - e são muitos - por corrupção voltam a ter direito a ser eleito?

Um homem errou a mão e tivemos essa hecatombe. Só um.  E sabe quantos vai precisar para tudo ser resolvido? Só um, também. Acabei de Ler que Gilmar Mendes (sim, aquele mesmo) já avisou que vai “pedir vista” do processo e... acabou ai. Nunca mais vamos ver a sequencia disso.

Somos um país de bosta e enquanto o voto for ideológico, o Brasil será um enredo de mazelas sociais.

Desculpe o desabafo. Dormi mal. Não me irrite nos comentários, por favor.

Todos os Créditos do artigo (com louvor): 

Rêne de Moura, publicitário


quarta-feira, 2 de setembro de 2026