Agradecer ao Criador — não por um milagre específico, não por um favor isolado, mas pelo conjunto inteiro da caminhada. Pelo que tenho, pelo que sou e, principalmente, pelo que me tornei.
Há um momento na vida em que a gente olha para trás e percebe que não atravessou tudo sozinho. Que houve uma força invisível sustentando quando as pernas tremiam. Que houve uma “mão” — discreta, silenciosa — empurrando as costas quando a vontade era parar.
E, no entanto, logo ali adiante estavam exatamente as oportunidades, as pessoas e as experiências que eu sempre sonhei. Não chegaram por acaso. Chegaram no tempo certo. Talvez não no meu tempo — mas no tempo que eu precisava para estar pronto.
Hoje entendo que a carência material da infância não foi ausência. Foi formação. Foi lapidação. Foi aprendizado silencioso de valor. Quem cresce sem excessos aprende a reconhecer o peso de cada conquista. Aprende que nada é pequeno quando foi construído com esforço.
Cada sonho que nasceu no peito nunca foi apenas desejo. Foi recado. Foi sussurro dizendo: “acredite, você pode.” Não como promessa fácil, mas como convite à responsabilidade. Porque acreditar também exige agir. Sonhar também exige levantar cedo. Ter fé também exige coragem.
Talvez o maior presente não tenha sido alcançar o que eu queria, mas me transformar no tipo de pessoa capaz de sustentar o que conquistei.
Se cheguei até aqui, não foi apenas por força própria. Foi por fé, por trabalho, por pessoas colocadas no caminho, por oportunidades que surgiram no momento exato — e por aquela mão invisível que nunca deixou faltar chão sob meus pés.
Hoje é dia de baixar a cabeça, não por derrota, mas por reverência.
E dizer, com sinceridade simples:
Porque tudo — absolutamente tudo — me trouxe até aqui.
E se houver novos sonhos no horizonte, que eu tenha a mesma fé de antes para escutá-los como recados.
E a mesma coragem para atendê-los.