sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Proibir Escolas Cívico-Militares e Premiar com Beneficio do Pé de Meia: Que Nação Estamos Preparando para o Futuro?

O debate sobre educação no Brasil anda girando em círculos: de um lado, proíbe-se um modelo que defendia disciplina, hierarquia e rotina estruturada; de outro, cria-se um incentivo financeiro para que estudantes permaneçam na escola. A pergunta que fica não é ideológica — é civilizatória: que tipo de nação estamos, de fato, preparando para o futuro?

Transformar a permanência na escola em política pública é necessário quando a evasão é alta. Ninguém discute que fome, desigualdade e falta de perspectiva afastam jovens das salas de aula. O problema é quando o incentivo financeiro vira substituto simbólico do valor da educação, e não complemento. Quando a mensagem implícita passa a ser: “fique porque paga”, e não “fique porque transforma”.

Ao mesmo tempo, o veto a modelos educacionais que apostam em disciplina e organização levanta outra questão incômoda: por que a palavra “disciplina” virou, para alguns, sinônimo automático de autoritarismo? Em um país que convive com índices crônicos de violência escolar, evasão, baixo rendimento e desmotivação, abrir mão de qualquer experiência que busque estrutura e pertencimento parece mais uma escolha política do que pedagógica.

Não se trata de romantizar fardas nem de transformar escola em quartel. Trata-se de reconhecer que ambiente importa. Rotina importa. Referência importa. Jovens precisam de sentido, mas também de limites. Precisam de acolhimento, mas também de exigência. A educação que só acolhe sem exigir cria adultos frágeis. A educação que só exige sem acolher cria adultos ressentidos. O equilíbrio é o desafio — e ele não se constrói por decreto.

O incentivo financeiro pode ser uma ferramenta legítima de permanência, mas ele não ensina disciplina, não cria propósito, não desenvolve responsabilidade por si só. Sem um projeto pedagógico forte, o benefício corre o risco de virar um fim em si mesmo: frequenta-se a escola para cumprir presença, não para aprender. Forma-se um aluno “contábil”, não um cidadão crítico.

A pergunta que deveria orientar qualquer política pública educacional é simples e dura:
queremos formar jovens autônomos, responsáveis e preparados para o mundo real — ou apenas cumprir metas administrativas de frequência?

Educação não é apenas acesso; é formação de caráter cívico, de competências emocionais, de responsabilidade social. Tirar do horizonte modelos que apostam em estrutura sem oferecer algo igualmente robusto em seu lugar é trocar uma tentativa imperfeita por um vácuo. E vácuos educacionais são ocupados por qualquer coisa — menos pelo projeto de futuro que o país diz querer.

No fim, o retrato é este: uma nação que discute formatos enquanto negligencia resultados. Que troca símbolos sem enfrentar o essencial. Que tenta resolver abandono escolar com dinheiro, mas hesita em discutir o tipo de adulto que quer formar.

O futuro não será decidido por slogans pedagógicos nem por políticas isoladas. Ele será decidido pela capacidade de construir escolas que eduquem para a vida — com exigência, com humanidade e com propósito. Sem isso, a pergunta permanece ecoando nos corredores vazios do amanhã:

que nação estamos, de fato, preparando para existir?

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