O domingo, quando amanhece limpo e claro, parece não querer nada de nós além de sinceridade. A semana inteira exige desempenho, respostas rápidas, decisões, posicionamentos. O domingo não. Ele apenas se oferece.
Ela fala na pausa do chimarrão demorado, no vento que passa mais leve, na rua mais silenciosa. Fala na lembrança que aparece sem pedir licença, naquele arrependimento pequeno que a gente empurrou pra depois, naquela gratidão que nunca foi dita.
Vivemos tentando organizar o mundo lá fora — carreira, opinião, metas, reconhecimento — mas quase nunca organizamos o que sentimos por dentro. Guardamos cansaços, acumulamos pequenas frustrações, engolimos palavras que precisavam sair.
É nesses dias que a alma encontra espaço para respirar. Não porque os problemas sumiram, mas porque o barulho diminuiu. E quando o barulho diminui, a verdade aparece.
O mundo já é áspero o suficiente. A vida já exige firmeza demais. Mas firmeza não precisa virar dureza. É possível ser forte sem ser frio. É possível ser decidido sem ser insensível. É possível vencer sem perder a delicadeza.
Domingos existem para lembrar que antes de sermos função, somos pessoas. Antes de sermos opinião, somos história. Antes de sermos pressa, somos respiração.
Que hoje seja um desses dias em que a gente escuta mais, julga menos, abraça melhor e promete só aquilo que é capaz de cumprir.
O resto… a semana resolve.
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