Existe um fenômeno silencioso e quase universal que atormenta empreendedores, artistas, escritores, músicos, inventores e qualquer um que ouse sair do “normal”:
quem te apoia, te paga, te divulga e te incentiva… quase nunca é quem te conhece.
E isso diz muito sobre como a sociedade — especialmente a brasileira — se relaciona com o sucesso alheio.
1. A Primeira Barreira: Proximidade não é Admiração
Pessoas próximas conhecem teu passado, teus defeitos, teus erros e tuas piores versões.
Para elas, tu não és “um profissional”, “um artista” ou “um visionário”.
Tu és o primo, o colega da escola, o vizinho, o funcionário, o filho da fulana.
E existe uma dificuldade enorme de transformar essa imagem inicial em respeito profissional.
O estranho, ao contrário, não carrega essa bagagem emocional.
Ele te avalia pelo que tu faz, não pelo que tu era.
2. Confiança vs Comparação
Quando alguém de longe te apoia, existe uma lógica simples:
“Se ele faz algo bom e que eu não faço, eu só posso admirar.”
Já quem te conhece faz outra conta:
“Se ele faz isso e eu não, isso me diminui?”
O apoio exige confiança.
A recusa exige comparação.
E no Brasil a comparação é quase vício cultural — pra muitos, ver o progresso do outro é um lembrete doloroso da própria estagnação.
3. A Falta de Prestígio Local
O produtor musical é respeitado… em outra cidade.
O escritor é lido… em outro estado.
O empreendedor vende… para outro público.
Existe até um provérbio:
“Santo de casa não faz milagre.”
Na prática, isso significa:
levar a sério alguém que cresceu do nosso lado parece difícil demais.
É mais confortável acreditar que “os bons” vêm de longe.
4. A Insegurança disfarçada de Crítica
Projetos novos exigem riscos, tentativas, erros e muita vulnerabilidade.
Quem se arrisca se expõe.
Quem não se arrisca… julga.
É comum ouvir de conhecidos:
— “Isso não vai dar certo.”
— “Tu deveria procurar um emprego sério.”
— “Quem tu pensa que é?”
Enquanto um estranho diria:
— “Interessante. Como eu posso contribuir?”
— “Me passa teu link.”
— “Quanto custa?”
O estranho não está tentando te proteger, está tentando te entender.
5. O Ciclo do Reconhecimento Tardio
A parte irônica é que o ciclo quase sempre termina com o mesmo desfecho:
-
Tu começas um projeto
-
Te ignoram
-
Estranhos te apoiam
-
Tu cresce
-
Quem te ignorou aparece
-
Agora querendo estar por perto
Quando o sucesso bate na porta, o discurso muda de:
“Não vai dar certo”
para
“Eu sempre soube que tu tinha futuro.”
6. Então… por que isso acontece?
A resposta sincera e simples é:
Porque a familiaridade cria comodidade, e a comodidade não combina com admiração.
E mais:
O apoio só vem de quem tem a coragem de te ver como tu quer se tornar — e não como tu sempre foi.
7. A Conclusão que Liberta
Se tu está em um projeto e sente que o apoio vem “de gente estranha”, entende uma coisa:
Isso não é sinal de fracasso.
É sinal de evolução.
Evolução assusta quem ficou parado.
E fascina quem está se movendo.
Portanto, continua.
Porque às vezes são os desconhecidos que te colocam no mapa…
antes que os conhecidos percebam que tu existe.
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