terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Quando o "Ser" é Insano, Tem Complexo de Superioridade, o Poder em Suas Mãos e Ainda Avisa Que Irá Invadir a tua “Casa”

Há um tipo específico de criatura humana que as páginas da História insistem em reciclar: aquela figura que une três elementos perigosos — insanidade disfarçada de genialidade, complexo de superioridade elevado à categoria de crença, e poder real o suficiente para transformar devaneio em tragédia.

Esse personagem, quando existe, não se contenta em ter poder; ele precisa exibir, provar e testar o poder, como quem coloca o dedo na tomada para ver se realmente dá choque. E o pior: às vezes, dá.

Para tornar o enredo completo, falta apenas um ingrediente final: anunciar abertamente suas intenções.
Não basta ter autoridade, não basta ter ambição, não basta ter histórico. Ele faz questão de avisar que irá invadir a tua “casa”, metafórica ou literal, porque dentro do próprio imaginário ele acredita que a “casa do outro” sempre foi sua.

É aí que a insanidade encontra a megalomania e dá match.

E o mais irônico? Ele sempre encontra plateia. Há quem aplauda, há quem relativize, há quem diga que é apenas uma fase, uma estratégia, uma negociação, uma bravata diplomática. Foi sempre assim: quando um louco sobe ao palco, nunca sobe sozinho. Sempre existe quem lhe empreste o microfone.

Enquanto isso, aquele que deveria se preocupar — o dono da “casa” — fica entre o riso nervoso, o medo real e o sentimento de que algo muito errado está acontecendo, mas ninguém quer admitir. Afinal, aceitar a loucura do outro exige enfrentar a própria covardia.

O enredo é velho:

  • as alianças se movem,

  • os vizinhos fingem neutralidade,

  • os comentaristas escrevem tratados acadêmicos,

  • os otimistas dizem que “não vai acontecer nada”,

  • e os historiadores suspiram porque já viram esse filme — mais de uma vez.

A lição é simples: o perigo maior não é o louco com poder. O perigo maior é o louco com poder que avisa o que vai fazer e mesmo assim ninguém leva a sério.

Talvez a humanidade precise aprender que, quando alguém anuncia que vai invadir tua casa, não se trata de metáfora, nem de brincadeira, nem de diplomacia performática.
É um teste.
E testes, quando não respondidos, viram fatos.

No fim das contas, a pergunta que fica não é sobre o insano que ameaça.
A pergunta que pesa é: quem permitiu que "alguém" assim chegasse tão longe?

Porque loucos sempre existiram.
O que não deveria existir é plateia, aplauso e silêncio.

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