Há um tipo específico de criatura humana que as páginas da História insistem em reciclar: aquela figura que une três elementos perigosos — insanidade disfarçada de genialidade, complexo de superioridade elevado à categoria de crença, e poder real o suficiente para transformar devaneio em tragédia.
Esse personagem, quando existe, não se contenta em ter poder; ele precisa exibir, provar e testar o poder, como quem coloca o dedo na tomada para ver se realmente dá choque. E o pior: às vezes, dá.
É aí que a insanidade encontra a megalomania e dá match.
E o mais irônico? Ele sempre encontra plateia. Há quem aplauda, há quem relativize, há quem diga que é apenas uma fase, uma estratégia, uma negociação, uma bravata diplomática. Foi sempre assim: quando um louco sobe ao palco, nunca sobe sozinho. Sempre existe quem lhe empreste o microfone.
Enquanto isso, aquele que deveria se preocupar — o dono da “casa” — fica entre o riso nervoso, o medo real e o sentimento de que algo muito errado está acontecendo, mas ninguém quer admitir. Afinal, aceitar a loucura do outro exige enfrentar a própria covardia.
O enredo é velho:
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as alianças se movem,
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os vizinhos fingem neutralidade,
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os comentaristas escrevem tratados acadêmicos,
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os otimistas dizem que “não vai acontecer nada”,
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e os historiadores suspiram porque já viram esse filme — mais de uma vez.
A lição é simples: o perigo maior não é o louco com poder. O perigo maior é o louco com poder que avisa o que vai fazer e mesmo assim ninguém leva a sério.
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