Há um tipo de criatura sobre a Terra que, ao contrário dos outros animais, não se contenta em respirar, comer e se reproduzir.
Ele quer mais: quer mandar, quer dominar, quer que todos ao redor acreditem no brilho superior que só ele parece enxergar no próprio espelho.
Esse ser humano — quando munido de uma dose de insanidade, uma colher de complexo de superioridade e uma caixa cheia de instrumentos de poder — transforma-se no mais perigoso dos mamíferos. Não porque é o mais forte, rápido ou inteligente… mas porque é o único capaz de destruir tudo ao seu redor acreditando estar salvando o mundo.
O curioso é que a insanidade vestida com vaidade raramente grita. Ela sussurra.
Primeiro convence o próprio anfitrião de que ele é excepcional, escolhido, único.
Depois exige plateia.
E por fim, busca controle.
E quando o controle chega, não importa se é um cargo, um título, uma instituição, um exército, um algoritmo ou uma caneta: o “iluminado” acredita que o resto do planeta lhe deve obediência. Se o mundo resiste, o mundo está errado. Se o mundo sofre, o mundo é fraco. E se o mundo perece, é porque não entendeu a grandeza da missão.
Historicamente, sempre foi assim.
O poder não corrompe apenas — ele amplifica.
Amplifica a grandeza dos sábios, mas também amplia a loucura dos vaidosos.
O que distingue um líder de um tirano não é o tamanho do trono, mas o estado da alma.
Um conduz, o outro controla.
Um ouve, o outro ordena.
Um pensa no legado, o outro pensa no retrato.
E aí entra o fator mais complexo de todos: os seguidores.
Porque o insano com complexo de superioridade nunca age sozinho.
Ele precisa de eco, precisa de quem aplauda, precise de quem diga “é isso mesmo”, pois até a loucura pede confirmação externa para se sentir normal.
A história mostra que o perigo máximo não é o louco solitário no topo,
mas a multidão que o considera um gênio incompreendido.
E quando essa equação se fecha — insanidade, vaidade e poder — surgem as perguntas que realmente importam:
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Quem freia quem acredita ser inalcançável?
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Quem questiona quem não aceita ser questionado?
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Quem limita quem se considera ilimitado?
No final, sobra uma verdade silenciosa:
o poder testa o caráter, mas a ausência de limites revela o monstro.
E é por isso que sociedades saudáveis não dependem apenas de líderes brilhantes, mas de mecanismos que impeçam os brilhantes de se tornarem incendiários.
Porque o dia em que o ser humano completamente convicto de sua própria superioridade estiver livre para fazer tudo que quiser… o mundo não verá grandeza, verá fumaça.
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