terça-feira, 13 de janeiro de 2026

O que tem mais peso: uma mentira que gera felicidade ou uma verdade que gera uma lágrima? E o encanto do Papai Noel.

Há perguntas que parecem simples, mas balançam o eixo da ética humana.
A ideia de que mentir é errado e dizer a verdade é o certo é ensinada desde cedo.
Mas ninguém nos prepara para os cenários em que a bondade e a verdade caminham em direções opostas.

É aí que entra a questão:
O que dói mais — a verdade ou a ausência do encanto?

A mentira que traz alegria

O Papai Noel é talvez a mentira mais linda já construída pela humanidade.
Não houve congresso, não houve decreto, não houve tratado internacional.
E ainda assim, o mundo inteiro decidiu — espontaneamente — mentir para as crianças.

Por quê?

Porque às vezes a vida é dura demais para ser entregue nua e crua.
Porque existem anos em que o pai está desempregado, mas o espírito natalino salva a casa da tristeza.
Porque a fantasia oferece algo que o mundo real nem sempre oferece:

  • espera

  • magia

  • inocência

  • brilho nos olhos

E aí surge a pergunta incômoda:
É realmente errado alimentar o encantamento?

Se a mentira cria um momento de beleza, ela pesa tanto quanto a verdade que fere?

A verdade que produz lágrimas

O outro lado é inevitável.
Em algum momento, a criança cresce.
A vida bate na porta.
E alguém — um amigo mais velho, um primo sem tato ou até a própria lógica — derruba o mito.

O impacto não está apenas na revelação.
Está naquilo que se perde:

  • o mistério

  • a fantasia

  • a sensação de que o universo tem cantos secretos

A lágrima que nasce aí não é apenas pelo Papai Noel.
É o luto pelo fim de um tipo de visão de mundo.

O nascimento da razão traz conquistas, mas também rouba horizontes.

Então, o que pesa mais?

A resposta depende do que se entende por peso.

Se peso é consequência, a verdade pesa mais — porque ela move destinos.
A mentira do Papai Noel não forma caráter, não destrói valores, não corrói relações.
Ela só constrói lembranças.

Se peso é significado, então a mentira pesa menos — porque ela serve à ternura, não ao engano.

Há mentiras que ferem.
Há mentiras que salvam.
Há verdades que libertam.
Há verdades que destroem.

O Papai Noel é a prova de que nem tudo é binário.

O lugar onde as duas coisas se encontram

Toda criança que descobre a verdade passa por um pequeno ritual filosófico:
entende que o mundo é maior do que ela pensava.

E nessa transição ocorre algo silencioso:

A magia não morre — ela só muda de endereço.

Antes, morava no trenó.
Depois, passa a morar:

  • no brilho das luzes

  • nos reencontros

  • nos abraços

  • na mesa cheia

  • no cuidado

  • na sensação de pertencimento

O Papai Noel deixa de ser um personagem e se torna um símbolo.

E símbolos não precisam ser reais para serem verdadeiros.

A conclusão que cabe no coração

Nem toda mentira é covardia.
E nem toda verdade é coragem.

O peso não está no conteúdo, mas na intenção.

Papai Noel é a mentira que lembra aos adultos como é ter a alma leve.
E é a verdade que ensina as crianças como é crescer.

No fundo, não precisamos escolher entre felicidade e realidade.
Precisamos apenas aceitar que o ser humano não vive só de fatos — ele vive de significados.

E talvez isso seja o maior encanto do Natal:
não importa se o velhinho existe.
O importante é que, por algumas semanas ao ano, algo dentro de nós decide acreditar que o mundo pode ser bonito.

E isso, por si só, já é a mais poderosa das verdades.

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