quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Agressão ao Jogador Perdigão em Curitiba: Quando o Uso da Força Precisa Ser Explicado

O caso Perdigão, a violência explícita e o silêncio que não protege ninguém

As imagens que circularam nos últimos dias, mostrando o atleta conhecido como Perdigão sendo violentamente agredido por um policial em Curitiba, não chocam apenas pela brutalidade do ato — chocam pelo que elas simbolizam: o momento exato em que a autoridade deixa de representar o Estado e passa a agir como indivíduo armado, sem freios visíveis.

Não se trata aqui de defender ou condenar previamente.
Não se trata de absolver comportamentos inadequados de cidadãos, nem de demonizar toda uma corporação.
Mas se trata, sim, de algo essencial: quando a força do Estado é usada, ela precisa ser explicada. Sempre.

O afastamento imediato do policial, assim como a manifestação do governador, são gestos institucionais corretos. Mas são gestos iniciais, não conclusivos. A sociedade viu as imagens. A sociedade reagiu. A sociedade, agora, espera respostas mais profundas do que notas protocolares.

Porque há uma pergunta que ecoa e não pode ser ignorada:
👉 O que levou um agente do Estado a agir daquela forma?

E há outra, ainda mais sensível:
👉 Qual é a versão oficial da corporação sobre o episódio?

Até agora, ouvimos condenações políticas, análises jurídicas, julgamentos nas redes sociais. Mas a voz institucional da Polícia Militar — clara, técnica, transparente — ainda é aguardada. Não para blindar ninguém, mas para proteger a própria instituição, que não pode ser refém do erro individual nem do silêncio corporativo.

A polícia existe para conter, proteger e restaurar a ordem — não para humilhar, punir ou extravasar emoções. Quando um policial perde o controle, não é só um cidadão que apanha: é a credibilidade da farda que sangra.

E é justamente por respeito aos milhares de profissionais que atuam corretamente todos os dias que episódios assim precisam ser tratados com luz, não com sombra.

Queremos ouvir:

  • O que diz o policial envolvido?

  • Qual foi o contexto real da abordagem?

  • Quais protocolos foram quebrados?

  • Que medidas corretivas serão adotadas?

  • E, principalmente, o que será feito para que isso não se repita?

Silêncio não pacifica.
Silêncio não protege.
Silêncio só alimenta desconfiança.

Se o Estado exige confiança da população, ele precisa, antes, prestar contas quando erra. A autoridade não se impõe pela força bruta, mas pela legitimidade.

E legitimidade só existe onde há transparência, responsabilidade e humanidade.

O caso Perdigão não é apenas um episódio isolado. É um teste.
Um teste de maturidade institucional.
E um teste de compromisso com aquilo que sustenta qualquer democracia: o poder que responde por seus atos.

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