O caso Perdigão, a violência explícita e o silêncio que não protege ninguém
As imagens que circularam nos últimos dias, mostrando o atleta conhecido como Perdigão sendo violentamente agredido por um policial em Curitiba, não chocam apenas pela brutalidade do ato — chocam pelo que elas simbolizam: o momento exato em que a autoridade deixa de representar o Estado e passa a agir como indivíduo armado, sem freios visíveis.
O afastamento imediato do policial, assim como a manifestação do governador, são gestos institucionais corretos. Mas são gestos iniciais, não conclusivos. A sociedade viu as imagens. A sociedade reagiu. A sociedade, agora, espera respostas mais profundas do que notas protocolares.
Até agora, ouvimos condenações políticas, análises jurídicas, julgamentos nas redes sociais. Mas a voz institucional da Polícia Militar — clara, técnica, transparente — ainda é aguardada. Não para blindar ninguém, mas para proteger a própria instituição, que não pode ser refém do erro individual nem do silêncio corporativo.
A polícia existe para conter, proteger e restaurar a ordem — não para humilhar, punir ou extravasar emoções. Quando um policial perde o controle, não é só um cidadão que apanha: é a credibilidade da farda que sangra.
E é justamente por respeito aos milhares de profissionais que atuam corretamente todos os dias que episódios assim precisam ser tratados com luz, não com sombra.
Queremos ouvir:
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O que diz o policial envolvido?
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Qual foi o contexto real da abordagem?
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Quais protocolos foram quebrados?
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Que medidas corretivas serão adotadas?
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E, principalmente, o que será feito para que isso não se repita?
Se o Estado exige confiança da população, ele precisa, antes, prestar contas quando erra. A autoridade não se impõe pela força bruta, mas pela legitimidade.
E legitimidade só existe onde há transparência, responsabilidade e humanidade.
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