terça-feira, 27 de janeiro de 2026
1970. Copa do Mundo do México - o “Caso do Cadarço” como a maior jogada de marketing.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
O Império da Insistência: quando o barulho vence a razão
E nesse terreno fértil para o simplismo, prospera um tipo específico de personagem histórico: o persistente agressivo.
A vitória não é do melhor argumento — é do mais insistente
E então recua — não por derrota, mas por lucidez.
A agressividade virou argumento
A opinião deixou de ser construção — virou ataque preventivo.
O cansaço dos sensatos é a grande vantagem dos imbecis
E vence por inércia.
Não porque seja mais capaz — mas porque ocupa todos os espaços deixados vazios por quem desistiu de discutir com paredes.
Quando a mediocridade vira maioria organizada
Existe um momento crítico em toda sociedade: aquele em que a mediocridade deixa de ser ruído e passa a ser sistema.
O perigo não é eles vencerem — é normalizarmos a derrota da razão
Porque quando a razão abandona o campo, alguém sempre ocupa o espaço — e nunca é alguém melhor.
É o mais insistente quando ninguém resiste.
Talvez o mundo esteja chato porque pensar dá trabalho
até quando os sensatos vão achar que não vale a pena resistir?
domingo, 25 de janeiro de 2026
sábado, 24 de janeiro de 2026
O PODER E SEUS INIMIGOS INVISÍVEIS
Por que quem cai raramente cai pelas mãos do mais forte
Diz a experiência — e não os livros de autoajuda — que quanto maior o poder, maior o número de inimigos. Mas essa é apenas a parte visível da história, aquela que conforta o ego de quem ascende: imaginar que todos os opositores são declarados, barulhentos, previsíveis.
Quanto mais alto alguém sobe, mais vozes deixam de confrontar e passam a concordar. Não porque concordem de fato, mas porque o custo da discordância se torna alto demais. E é nesse exato ponto que o poder começa a apodrecer por dentro.
Na história dos impérios, dos governos, das empresas e até das relações humanas, raramente a queda vem de um confronto direto. Reis não caem porque enfrentaram um exército maior, mas porque confiaram demais nos que estavam ao seu lado. Líderes não fracassam por falta de força, mas por excesso de certeza.
O poder cria um campo magnético estranho: ele afasta os sinceros e atrai os oportunistas. Quem fala a verdade vai embora cedo. Quem fica, aprende a falar o que agrada. E quando todos ao redor dizem “sim”, o erro deixa de ser corrigido e passa a ser cultivado.
É aí que o poder começa a confundir respeito com medo, lealdade com conveniência, silêncio com apoio.
Ele não disputa espaço, não ergue bandeiras, não declara guerra. Ele apenas espera o momento exato em que o poderoso estará isolado, cercado apenas de espelhos — e então empurra. Às vezes com uma palavra, às vezes com uma ausência, às vezes apenas deixando de sustentar aquilo que sempre pareceu sólido.
Por isso, quanto mais poder alguém acumula, mais deveria investir em algo raro: escuta real. Cercar-se de quem discorda. Proteger quem alerta. Valorizar quem não se curva. Porque o maior luxo do poder não é mandar — é ainda conseguir ouvir.
E a história é implacável em repetir a mesma lição:
O poder não cai por ataque frontal. Cai por dentro.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
REINO UNIDO DEVERIA RECOMPRAR OS ESTADOS UNIDOS E REESCREVER A HISTÓRIA.
O Reino que Esqueceu de Ler o Contrato
O Reino Unido assinou papéis, entregou terras, soltou as rédeas e virou as costas. Do outro lado do oceano, nasceu um novo reino que jurava nunca mais se submeter a coroas, tradições ou velhos códigos. Um reino jovem, barulhento, armado de liberdade — e de amnésia seletiva.
O problema começou quando o herdeiro passou a agir como se tivesse inventado tudo sozinho.
A criança que cresceu sem tutor
Construiu cidades, ergueu impérios econômicos, produziu armas, narrativas e mitologias próprias. Convenceu o mundo de que era o ápice da civilização moderna — mesmo tendo herdado idioma, leis, instituições e até o conceito de democracia do velho reino que fingia desprezar.
Era como um filho que nega o pai, mas exige a herança completa.
E o velho Reino Unido observava, entre constrangido e cúmplice, aquele experimento fora de controle.
A ironia do século
Até que alguém, em um salão silencioso da História, fez a pergunta proibida:
E se o Reino Unido resolvesse recomprar os Estados Unidos?
Talvez fosse hora de revisar o contrato.
Porque o filho crescera, sim — mas crescera sem maturidade proporcional ao poder que carregava. Aprendera a falar alto antes de aprender a escutar. Aprendera a impor antes de compreender. Aprendera a intervir antes de refletir.
Era um gigante com comportamento de adolescente.
Reescrever a história não é apagá-la
Significa lembrar ao mundo — e principalmente ao herdeiro — que nenhuma potência nasce do nada. Que toda grandeza vem acompanhada de responsabilidade, limites e autocontenção. Que civilização não é apenas força econômica ou militar, mas capacidade de convivência, diálogo e humildade histórica.
Talvez, sob tutela simbólica, o jovem reino fosse obrigado a reaprender coisas básicas:
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que o mundo não gira ao redor de um único eixo;
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que diversidade cultural não é ameaça;
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que poder sem autocrítica vira caricatura;
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que liberdade sem freio vira dominação.
O tutor que também errou
O mundo como fiador
Nesta fábula, quem paga o preço da imaturidade não são apenas os dois reinos. É o mundo inteiro — sempre fiador involuntário das aventuras do poder.
O que realmente precisa ser recomprado é:
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o senso de limite,
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a memória histórica,
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a noção de que nenhum país é o “adulto da sala” por decreto.
E talvez esteja na hora de alguém, com ironia britânica e chá frio sobre a mesa, dizer:
— Calma. Vamos reler esse contrato juntos.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
NO CONSELHO DA PAZ, O TRONO É DO SENHOR DA GUERRA - Parte 02
Então os sábios da cidade reuniram-se para criar o que chamaram de Conselho da Paz.
Mas havia um detalhe.
Para presidir o conselho, escolheram aquele que mais entendia de guerra.
O homem que dominava o conflito
— Quem melhor para conduzir a paz do que aquele que conhece a guerra? — disseram.
E assim, o Senhor da guerra sentou-se à cabeceira da mesa onde se falaria de silêncio.
A paz tratada como estratégia
A paz ali não era um caminho — era um objetivo administrativo.
Como se a paz fosse um território a conquistar, e não um estado a cultivar.
O problema não era o homem — era o método
O espelho quebrado
Certo dia, uma criança entrou na sala do conselho e perguntou:
— Se a paz é silêncio, por que ela grita tanto aqui dentro?
Ninguém respondeu.
Porque algumas perguntas não pedem resposta — pedem mudança.
A lição que ficou
Enquanto a paz for conduzida pelos que só conhecem o confronto, ela será apenas um intervalo — nunca um destino.
E assim ficou escrito na memória da cidade:
A paz não precisa de estrategistas.Precisa de jardineiros.
Criar o “Conselho da Paz” Presidido pelo “Senhor da Guerra”: Onde Está o Viés Coerente Disso? - Parte 01
Criar um “Conselho da Paz” presidido pelo “Senhor da Guerra” pertence claramente a essa terceira categoria.
Não se trata de uma provocação literária nem de uma metáfora mal compreendida. Trata-se de uma inversão simbólica tão gritante que deveria, no mínimo, causar desconforto coletivo. Mas não causa. E isso talvez seja o ponto mais preocupante.
A paz como ornamento, não como princípio
A palavra paz virou um objeto decorativo no discurso público. Serve para nomear conselhos, comissões, programas e slogans — independentemente de quem os lidera ou do histórico de quem os formula.
Quando um personagem cuja trajetória é marcada por confrontos, escaladas de tensão, retórica beligerante ou ações de força passa a ser o guardião institucional da paz, algo está profundamente desalinhado. Não apenas no campo ético, mas no campo lógico.
O problema não é a pessoa — é o símbolo
Mas símbolos não mudam com a mesma facilidade.
Ao colocar o “Senhor da Guerra” no centro de um organismo que deveria mediar conflitos, prevenir violência e promover diálogo, o Estado — ou a instituição que o faz — envia uma mensagem clara, ainda que não intencional:
A paz não precisa ser construída, apenas administrada.
E isso é falso.
A banalização da contradição
Tudo isso se normaliza sob o argumento da “governabilidade”, da “estratégia” ou do “pragmatismo”.
Mas pragmatismo sem coerência vira cinismo institucional.
Paz não se decreta, se pratica
Um Conselho da Paz deveria ser, antes de tudo, um espaço de escuta plural, de mediação real, de construção paciente. Seu presidente deveria carregar, no mínimo, um histórico de diálogo, contenção e respeito à divergência.
Caso contrário, o conselho nasce condenado a ser apenas uma peça de retórica — um verniz civilizatório sobre estruturas que continuam operando pela lógica da força.
A pergunta que fica
Talvez a pergunta mais honesta não seja “onde está a coerência?”, mas outra, mais incômoda:
👉 Será que realmente queremos a paz — ou apenas a aparência dela?
E quase sempre, retorna mais violento.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Agressão ao Jogador Perdigão em Curitiba: Quando o Uso da Força Precisa Ser Explicado
O caso Perdigão, a violência explícita e o silêncio que não protege ninguém
As imagens que circularam nos últimos dias, mostrando o atleta conhecido como Perdigão sendo violentamente agredido por um policial em Curitiba, não chocam apenas pela brutalidade do ato — chocam pelo que elas simbolizam: o momento exato em que a autoridade deixa de representar o Estado e passa a agir como indivíduo armado, sem freios visíveis.
O afastamento imediato do policial, assim como a manifestação do governador, são gestos institucionais corretos. Mas são gestos iniciais, não conclusivos. A sociedade viu as imagens. A sociedade reagiu. A sociedade, agora, espera respostas mais profundas do que notas protocolares.
Até agora, ouvimos condenações políticas, análises jurídicas, julgamentos nas redes sociais. Mas a voz institucional da Polícia Militar — clara, técnica, transparente — ainda é aguardada. Não para blindar ninguém, mas para proteger a própria instituição, que não pode ser refém do erro individual nem do silêncio corporativo.
A polícia existe para conter, proteger e restaurar a ordem — não para humilhar, punir ou extravasar emoções. Quando um policial perde o controle, não é só um cidadão que apanha: é a credibilidade da farda que sangra.
E é justamente por respeito aos milhares de profissionais que atuam corretamente todos os dias que episódios assim precisam ser tratados com luz, não com sombra.
Queremos ouvir:
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O que diz o policial envolvido?
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Qual foi o contexto real da abordagem?
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Quais protocolos foram quebrados?
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Que medidas corretivas serão adotadas?
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E, principalmente, o que será feito para que isso não se repita?
Se o Estado exige confiança da população, ele precisa, antes, prestar contas quando erra. A autoridade não se impõe pela força bruta, mas pela legitimidade.
E legitimidade só existe onde há transparência, responsabilidade e humanidade.
O Poder que Ensandece
Há fenômenos humanos que não precisam de manual de instrução — basta observar e esperar. O poder é um deles. Ele entra pela porta como ferramenta, mas, se não houver freio interno, sai pela janela como delírio.
O poder em si não tem cor, país ou ideologia. É apenas energia concentrada num único ponto. O problema começa quando essa energia passa a girar no mesmo eixo que a vaidade. E é aí que o ser humano se torna um laboratório curioso: quanto mais alta a posição, mais tênue fica a fronteira entre lucidez e megalomania.
E é nesse grito que o poder encontra terreno fértil. O indivíduo que antes buscava objetivos concretos — resolver crises, construir, mediar, negociar — de repente passa a buscar outra coisa: ser visto, ser reverenciado, ser indispensável.
A partir daí, a lógica muda:
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decisões deixam de ser técnicas e passam a ser emocionais,
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conselhos deixam de ser bem-vindos e passam a ser ameaça,
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aliados deixam de ser parceiros e viram plateia,
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e qualquer crítica, por mais sutil, vira afronta.
O curioso é que o poder raramente enlouquece sozinho. Ele faz isso em dupla com a vaidade. Um alimenta o outro até que, em algum momento, a razão fica na arquibancada vendo o espetáculo acontecer.
A insanidade, nesse contexto, não se apresenta como loucura clássica. Ela se apresenta como convicção absoluta. É esse o detalhe mais perigoso.
E quando o poder encontra o estágio final — aquele em que ninguém à volta se atreve a dizer “não” — o processo está completo. O líder já não governa: administra a própria narrativa.
E a História, sempre muito paciente, coleciona esses episódios com precisão de arquivista. Observa, anota e guarda para o capítulo final — aquele em que o homem passa, mas o registro fica.
Esse editorial termina com uma ironia amarga: o poder que ensandece não é apenas o poder que foi tomado… é também o poder que foi concedido. Alguém entregou. Alguém aplaudiu. Alguém achou que era uma boa ideia.
E, como sempre, a conta chega.