Não é o grito de quem promove a guerra que mais assusta.
A violência, quando se mostra, pelo menos não se esconde.
Porque o silêncio, muitas vezes, não é ausência.
É escolha.
E, aos poucos, isso vai sendo normalizado.
Afinal, é mais confortável assim.
Mas existe uma ilusão perigosa nisso:
achar que certos acontecimentos sempre pertencem ao “outro lado”.
A história já mostrou — inúmeras vezes — que não.
O silêncio pode até parecer neutro.
Mas, em muitos casos, ele funciona como espaço livre para que o errado avance.
Não porque todos concordam.
Mas porque poucos se manifestam.
E assim, pouco a pouco, aquilo que deveria causar indignação passa a ser tolerado.
Depois aceito.
E, em alguns casos… até esquecido.
Não se trata de exigir que todos estejam sempre em confronto.
Mas de entender que há momentos em que o mínimo esperado não é perfeição.
É posicionamento.
E quando a sociedade começa a se calar diante do que fere a humanidade, ela não está evitando conflito.
Está, sem perceber, permitindo que ele cresça.
A pergunta que fica não é confortável — mas é necessária:
até quando o problema será sempre “no quintal do outro”?
Porque a linha que separa o distante do próximo é mais frágil do que parece.
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