quarta-feira, 22 de abril de 2026

Não Preocupa o Barulho de "quem" faz a Guerra, Preocupa o Silencio "Dos que se dizem Bons"

Não é o grito de quem promove a guerra que mais assusta.

Esse é visível.
É barulhento.
É explícito.

A violência, quando se mostra, pelo menos não se esconde.

O que realmente inquieta…
é o silêncio de quem poderia dizer algo — e não diz.

Porque o silêncio, muitas vezes, não é ausência.

É escolha.

Escolha de não se posicionar.
De não se envolver.
De não “comprar briga”.

E, aos poucos, isso vai sendo normalizado.

Afinal, é mais confortável assim.

Enquanto não atinge diretamente, parece distante.
Enquanto não dói na própria pele, parece administrável.

Mas existe uma ilusão perigosa nisso:

achar que certos acontecimentos sempre pertencem ao “outro lado”.

A história já mostrou — inúmeras vezes — que não.

Conflitos não respeitam fronteiras emocionais.
Injustiças não escolhem apenas um endereço.
E a indiferença de hoje pode ser o problema de amanhã.

O silêncio pode até parecer neutro.

Mas, em muitos casos, ele funciona como espaço livre para que o errado avance.

Não porque todos concordam.

Mas porque poucos se manifestam.

E assim, pouco a pouco, aquilo que deveria causar indignação passa a ser tolerado.

Depois aceito.

E, em alguns casos… até esquecido.

Não se trata de exigir que todos estejam sempre em confronto.

Mas de entender que há momentos em que o mínimo esperado não é perfeição.

É posicionamento.

Porque existe uma diferença entre paz…
e omissão.

Paz é construída.
Omissão é ausência disfarçada.

E quando a sociedade começa a se calar diante do que fere a humanidade, ela não está evitando conflito.

Está, sem perceber, permitindo que ele cresça.

A pergunta que fica não é confortável — mas é necessária:

até quando o problema será sempre “no quintal do outro”?

Porque a linha que separa o distante do próximo é mais frágil do que parece.

E quando ela é cruzada…
o silêncio já não protege mais ninguém.

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