Há frases que envelhecem bem.
Quanto mais o tempo passa, mais verdadeiras parecem se tornar.
Uma delas foi dita por Thomas Sowell:
“Quando as pessoas querem o impossível, somente os mentirosos podem satisfazê-las.”
À primeira vista, parece apenas uma crítica aos mentirosos.
Mas talvez seja também uma crítica a quem deseja acreditar.
Porque toda mentira bem-sucedida depende de duas partes:
quem conta...
e quem quer ouvir.
A humanidade sempre foi fascinada por promessas.
Promessas de riqueza sem esforço.
De felicidade sem dor.
De sucesso sem sacrifício.
De direitos sem responsabilidades.
De resultados sem consequências.
E é exatamente nesse terreno que os vendedores de ilusões prosperam.
Porque a realidade tem um defeito terrível:
ela impõe limites.
Existe um limite para os recursos.
Existe um limite para o tempo.
Existe um limite para aquilo que pode ser feito.
Mas o impossível tem um apelo irresistível.
Ele não exige cálculo.
Não exige prudência.
Não exige paciência.
Exige apenas fé na promessa.
E é aí que nasce o problema.
Quando uma sociedade passa a desejar soluções mágicas para problemas complexos, ela começa a premiar não quem diz a verdade...
mas quem conta a história mais agradável.
A verdade costuma ser desconfortável.
Ela fala de esforço.
De responsabilidade.
De escolhas difíceis.
De renúncias.
Já a mentira é elegante.
Promete tudo.
Entrega pouco.
E quando fracassa, geralmente encontra um culpado conveniente.
Por isso a frase de Sowell é tão provocativa.
Ela nos obriga a olhar não apenas para os líderes, mas também para os liderados.
Não apenas para quem promete.
Mas para quem aplaude a promessa.
Porque existe uma pergunta que raramente fazemos:
e se o problema não for apenas o vendedor da ilusão?
E se parte do problema estiver no mercado que consome ilusões com entusiasmo?
A história está cheia de exemplos.
Pessoas que prometeram o impossível.
Governos que garantiram prosperidade infinita.
Movimentos que prometeram igualdade perfeita.
Líderes que garantiram soluções instantâneas.
Quase todos tinham algo em comum:
receberam aplausos antes de entregar resultados.
Porque promessas agradam.
Resultados exigem espera.
E a espera nunca foi muito popular.
Talvez a maturidade de uma pessoa — e de uma sociedade — comece justamente quando ela aprende a distinguir esperança de fantasia.
Esperança é acreditar que algo pode melhorar.
Fantasia é acreditar que tudo pode melhorar sem custo algum.
Uma fortalece.
A outra engana.
No fim, a frase de Thomas Sowell não fala apenas sobre mentirosos.
Ela fala sobre responsabilidade coletiva.
Sobre a coragem de aceitar que algumas coisas são difíceis.
Que alguns problemas não possuem soluções instantâneas.
Que alguns sonhos exigem trabalho.
E que a realidade, por mais imperfeita que seja, continua sendo um lugar muito mais seguro para construir o futuro do que qualquer ilusão bem contada.
Porque quando as pessoas passam a exigir o impossível...
a verdade deixa de ser suficiente.
E nesse momento, os mentirosos encontram terreno fértil.
E quase sempre encontram também algo ainda mais valioso:
uma plateia disposta a acreditar.
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