Você se lembra do Gru? Aquele personagem rabugento que roubava a Lua mas se derretia pelas filhas adotivas? A gente riu, se apegou e chamou: "Meu Malvado Favorito". Porque no fundo, ele era bom. Era malvado só na ficção, com coração mole e final feliz.
A ficção perdoa fácil. A gente entende que vilão de filme tem redenção garantida. O problema começa quando a gente traz esse título pra vida real e troca o adjetivo.
Agora não é mais "malvado". É "criminoso". E pior: é "favorito".
A troca de palavra que muda tudo
Malvado é travessura. É a criança que escondeu o sapato do pai pra não ir pra escola. É brincadeira que não machuca ninguém.
Criminoso já é prejuízo real. É dano, é lei rompida, é dor que não se desfaz com um pedido de desculpas no fim do filme.
Quando alguém vira "meu criminoso favorito", o que estamos dizendo? Que a gente releva? Que o crime fica pequeno se o criminoso tem carisma, se fala bem, se defende uma ideologia que eu aprovo?
O perigo de normalizar o erro
Na arte, tudo bem gostar do anti-herói. O cinema vive disso. Mas na vida real, o cenário é outro.
Transformar criminoso em favorito é endossar o erro e sair defendendo. É ensinar aos mais jovens que caráter é flexível. Que se a pessoa for "do nosso lado", as regras mudam.
E não mudam. Lei é limite. Quem ultrapassa, precisa responder.
Que favorito você anda escolhendo?
Vale o teste: olhe ao seu redor. Seus ídolos, políticos, cantores, influenciadores. Quantos deles você defenderia mesmo sabendo de algo errado?
Se a resposta incomoda, é bom sinal. Sinal que sua bússola moral ainda aponta para o certo.
Gostar de personagem é uma coisa. Passar a mão na cabeça de crime é outra bem diferente.
Que a gente continue rindo do Gru e dos Minions. Mas que nunca confunda ficção com realidade. E que nosso único "favorito" continue sendo aquele que dorme com a consciência limpa e o nome sem manchas.
Porque na vida real, o único aplauso que vale é o da justiça.
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