Sou do tempo da chuteira preta.
De cadarço.
Camisa pra dentro do calção e meia puxada até o joelho.
Zagueiro de bigode, cara fechada, postura de quem não tava ali pra brincar.
O tipo de jogador que tu olhava e já pensava: “hoje ninguém passa”.
E domingo… ah, domingo era sagrado.
Televisão ligada, expectativa no ar, futebol de verdade.
Não era só jogo — era programa. Era ritual.
Hoje… mudou.
E não foi pouco.
Agora tem que ter “fair play” pra jogador que rola três vezes no chão depois de um encostão.
Tem cabelo colorido, tatuagem até onde nem precisa mostrar…
mas futebol arte, aquele que fazia levantar do sofá, esse anda em falta.
Porque talento não sumiu.
O que sumiu foi outra coisa.
A essência.
Hoje parece que tem jogador mais preocupado com o corte de cabelo do que com o corte na marcação.
Mais atento à câmera do que ao posicionamento.
Mais interessado na imagem do que no jogo.
E o torcedor percebe.
Sempre percebe.
Porque quem viu o futebol de antes sabe a diferença.
Não era só técnica.
Era entrega.
Era orgulho.
Era vestir uma camisa e sentir o peso dela — não no tecido, mas na história.
Camisa de clube grande não é uniforme.
É responsabilidade.
É entrar em campo sabendo que milhões estão ali junto.
É entender que tu não joga só por ti.
Hoje, muitas vezes, parece que isso virou detalhe.
E não é.
Futebol sempre foi mais do que estética.
Sempre foi mais do que marketing.
Futebol é emoção bruta.
É dividida forte.
É gol gritado até perder a voz.
É jogador que sai exausto porque deixou tudo em campo.
Talvez o mundo tenha mudado.
Talvez o futebol tenha acompanhado.
Mas fica a sensação — incômoda — de que algo importante se perdeu no caminho.
Porque modernizar é inevitável.
Mas esquecer a essência…
isso nunca deveria fazer parte do jogo.
E aí fica a pergunta que ecoa em muita gente:
cadê o nosso futebol?
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