quarta-feira, 26 de novembro de 2025

O Que Existe Por Trás de Quatro Escritórios de Advocacia Assinarem o Habeas Corpus do Dono do Banco Master?

Quando quatro — repito, quatro — escritórios de advocacia de elite assinam juntos um único habeas corpus, o mundo jurídico inteiro entende a mensagem:
alguém muito poderoso precisa de muito mais do que uma boa defesa — precisa de blindagem.

Porque não estamos falando de um caso pequeno.
Não é um produtor rural que plantou fora da curva, nem um trabalhador que tropeçou na burocracia judicial.
É o dono de um banco envolvido em uma investigação que fala em fraudes milionárias, operações suspeitas, emissão de créditos inexistentes e risco sistêmico para o mercado.

E, curiosamente, no exato momento em que os holofotes se acendem, surgem quatro bancas pesadas, renomadas, de pedigree jurídico, assinando o mesmo documento, como se o próprio habeas corpus precisasse de escolta armada.

A pergunta é simples:
Por quê?


1. Porque um caso assim não precisa só de advogado — precisa de arquitetura jurídica.

Um único escritório poderia ter protocolado o habeas corpus? Claro.
Mas quando sete advogados e quatro escritórios entram juntos, não é defesa — é estratégia de guerra.

É o tipo de movimento que indica:

  • coordenação em alto nível,

  • proteção de reputação conjunta,

  • construção de narrativa,

  • blindagem contra desgaste público.

É como se dissessem:
“Se um cair, todos seguram. Se um apanhar, ninguém apanha sozinho. Se um juiz pensar duas vezes, missão cumprida.”


2. Porque o caso é feio demais para ser resolvido só com técnica.

O escândalo do Banco Master não é um tropeço administrativo.
É investigação de fraude pesada, que inclui:

  • carteiras de crédito que nunca existiram,

  • contabilidade duvidosa,

  • prejuízo potencial bilionário,

  • tentativa de embarque no exterior no momento da prisão,

  • suspeita de organização criminosa.

Se isso não exige uma defesa reforçada, nada exige.

E quando o risco é grande, o advogado não trabalha sozinho.
O poder econômico chama todo mundo: nomes, selos, marcas, reputações.
É a Liga da Justiça dos honorários premium.


3. Porque ter quatro escritórios assinando não significa força jurídica — significa força política.

Advogados criminalistas de elite não vendem só conhecimento técnico.
Eles vendem:

  • influência,

  • acesso,

  • prestígio,

  • histórico de vitórias,

  • capacidade de articular nos bastidores.

Quando vários deles aparecem numa mesma peça processual, não é coincidência:
é mensagem.

É sinalização ao sistema jurídico de que existe um poder estruturado por trás daquele réu.

Que aquele processo não vai ser fácil.
Que cada vírgula será contestada.
Que cada decisão será alvo de recurso.
Que cada juiz terá seu nome exposto.

Em outras palavras:
“Estamos prontos para lutar até o fim, e não estamos sozinhos.”


4. Porque o dinheiro compra tempo — e tempo, no mundo jurídico, é ouro.

Quem tem recursos:

  • prolonga,

  • recorre,

  • protela,

  • trava,

  • questiona,

  • judicializa cada detalhe.

E enquanto isso, o processo envelhece.
A imprensa muda o foco.
O público esquece.
A narrativa dissolve.

É o manual clássico da defesa empresarial de alto risco.


5. Porque há um contraste brutal entre a blindagem dos bilionários e a vulnerabilidade do cidadão comum

Enquanto um banqueiro acusado de fraudes milionárias tem quatro escritórios ao seu lado, a maioria dos cidadãos sequer tem acesso a um defensor público com tempo para ler o processo inteiro.

O sistema judicial brasileiro não falha por falta de leis.
Falha porque leis funcionam de forma fatalmente desigual.

Quem tem dinheiro compra a melhor defesa possível.
Quem não tem, torce.


6. Então… o que há por trás desses quatro escritórios assinando o habeas corpus?

poder.
dinheiro.
estratégia.
reputações protegendo reputações.
interesse em travar o dano institucional antes que ele se torne irreversível.
medo de que a porta do mercado financeiro se feche para muita gente caso tudo venha à tona de maneira incontrolável.

E acima de tudo:

Há a demonstração explícita — quase didática — de como o Brasil funciona quando o assunto é crime econômico de alto escalão.

Não importa o tamanho do escândalo.
Importa o tamanho do advogado.

Conclusão: o HC é apenas o sintoma — o sistema é a doença.

A sociedade olha para quatro escritórios assinando um habeas corpus e pensa:
“Que defesa forte.”

Mas, na verdade, deveria pensar:

“Que sistema vulnerável.”

Porque enquanto o pequeno comerciante, o agricultor, o trabalhador e o cidadão comum respondem ao Estado de peito aberto,
os bilionários respondem com uma muralha jurídica inteira na frente.

E essa muralha, sejamos honestos, não faz parte da justiça.
Faz parte do poder.

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