— Você assiste televisão demais.
A resposta veio quase automática.
— Não mais que os outros.
A conversa poderia ter terminado ali.
Mas talvez seja justamente nessa pequena frase que esteja escondido um dos maiores problemas da sociedade moderna.
"Não mais que os outros."
Que curiosa necessidade temos de usar os outros como régua para medir a nossa própria vida.
Se os outros fazem, então parece aceitável.
Se os outros pensam assim, então seguimos o mesmo caminho.
Se os outros desperdiçam tempo, consumimos o mesmo desperdício.
Se os outros gritam, gritamos também.
Como se a consciência pudesse ser terceirizada.
Como se o comportamento da maioria absolvesse nossas próprias escolhas.
Mas existe uma resposta muito mais poderosa.
"Não se preocupe com os outros."
Porque os outros...
São os outros.
Nunca viverão a sua vida.
Nunca colherão as consequências das suas decisões.
Nunca carregarão os seus arrependimentos.
Cada ser humano possui uma história única, desafios únicos, talentos únicos e um propósito que não pode ser comparado ao de mais ninguém.
Então por que insistimos em construir nossa existência olhando constantemente para a janela da casa alheia?
Talvez porque seja mais confortável.
É mais fácil dizer que todos fazem do que perguntar se aquilo realmente faz sentido.
É mais simples acompanhar a multidão do que suportar a solidão de quem escolheu um caminho diferente.
A história mostra que quase todas as grandes transformações começaram justamente quando alguém resolveu deixar de usar a maioria como referência.
Os inventores.
Os cientistas.
Os artistas.
Os empreendedores.
Os líderes.
Quase todos ouviram, em algum momento, uma versão da mesma frase:
"Mas ninguém faz assim."
Ainda bem.
Porque, se todos fizessem igual, o mundo jamais mudaria.
Existe um perigo silencioso em viver comparando-se aos outros.
Pouco a pouco deixamos de perguntar:
"Quem eu quero ser?"
E passamos a perguntar:
"O que as pessoas esperam que eu seja?"
É nesse instante que a autenticidade começa a desaparecer.
Vivemos uma época em que a comparação se tornou permanente.
Comparamos salários.
Casas.
Carros.
Viagens.
Corpos.
Curtidas.
Seguidores.
Opiniões.
Até a felicidade passou a ser medida pela vitrine da vida dos outros.
Esquecemos que as vitrines nunca mostram os depósitos.
Exibem conquistas.
Escondem angústias.
Mostram sorrisos.
Silenciam medos.
Apresentam vitórias.
Omitem derrotas.
Comparar-se a uma aparência é construir frustrações sobre ilusões.
Talvez devêssemos recuperar uma pergunta muito mais importante.
Não:
"Como vivem os outros?"
Mas:
"Estou vivendo de acordo com aquilo em que acredito?"
Essa pergunta muda tudo.
Porque ela devolve a responsabilidade para o único lugar onde ela realmente pertence.
Nós mesmos.
Talvez seja exatamente isso que diferencia pessoas extraordinárias.
Elas não gastam energia tentando parecer com alguém.
Gastam energia tentando tornar-se uma versão melhor de si mesmas.
Enquanto muitos olham para os lados procurando aprovação, elas olham para frente procurando direção.
No fim das contas, a vida nunca premiou quem melhor imitou a multidão.
A história costuma lembrar daqueles que tiveram coragem de caminhar quando todos permaneciam parados.
Por isso, talvez a resposta mais inteligente para aquela primeira pergunta nunca tenha sido:
"Eu não assisto mais televisão do que os outros."
Talvez fosse simplesmente esta:
"Os outros são os outros."
Nós faremos diferente.
Porque toda grande mudança na história da humanidade começou exatamente assim.
No dia em que alguém deixou de usar a maioria como desculpa e passou a usar a própria consciência como bússola.
"Os outros mostram o caminho mais percorrido. A consciência mostra o caminho que é seu."
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Olá leitor, caso queira deixe seu comentário e responderemos assim que possível.