Existe uma força nas palavras que muitas vezes subestimamos.
Uma palavra pode levantar alguém.
Pode derrubar.
Pode aproximar.
Pode afastar.
Pode cicatrizar uma ferida que ninguém consegue enxergar.
E também pode abrir uma ferida onde antes não existia nenhuma.
Por isso, talvez devêssemos prestar mais atenção naquilo que estamos dizendo.
Principalmente quando falamos de nós mesmos.
Principalmente quando falamos dentro da nossa casa.
Principalmente quando falamos sobre aqueles que amamos.
Porque as palavras que repetimos todos os dias acabam encontrando morada em algum lugar.
Às vezes, na nossa cabeça.
Às vezes, no coração de alguém.
E muitas vezes, na maneira como passamos a enxergar a própria vida.
Quantas vezes você já disse:
“Isso não vai dar certo.”
“Eu não consigo.”
“Na minha vida nada funciona.”
“Minha família só tem problema.”
“Meu filho não vai chegar a lugar nenhum.”
“Eu nunca vou conseguir.”
“É sempre assim comigo.”
Talvez tenham sido apenas palavras.
Mas palavras repetidas muitas vezes deixam de ser apenas palavras.
Elas podem se transformar em crenças.
E crenças podem se transformar em destinos que nós mesmos ajudamos a construir.
Por isso, talvez esteja na hora de mudar o vocabulário.
Não porque basta falar uma frase bonita para o universo resolver nossos problemas.
Não.
A vida exige trabalho.
Exige coragem.
Exige responsabilidade.
Exige escolhas.
Mas existe uma coisa que podemos escolher todos os dias:
a maneira como falamos sobre aquilo que ainda estamos tentando construir.
Experimente trocar:
“Eu não vou conseguir”
por
“Eu ainda não consegui.”
Percebe a diferença?
Uma frase fecha a porta.
A outra deixa uma fresta.
Troque:
“Minha vida está perdida”
por
“Minha vida está passando por uma fase difícil.”
Uma coisa é decretar o fim.
Outra é reconhecer que existe uma fase que pode passar.
Troque:
“Minha família só tem problemas”
por
“Minha família está atravessando dificuldades, mas nós vamos enfrentá-las juntos.”
Isso não é fingir que o problema não existe.
É simplesmente não permitir que o problema tenha a última palavra.
E talvez seja isso que significa profetizar coisas boas sobre a nossa vida.
Não é negar a realidade.
É não transformar a realidade de hoje numa sentença definitiva sobre o amanhã.
É olhar para uma casa que atravessa dificuldades e dizer:
“Nós vamos sair disso.”
É olhar para um filho que está perdido e dizer:
“Eu acredito em você.”
É olhar para alguém que fracassou e dizer:
“Você caiu, mas isso não define quem você é.”
É olhar para o espelho depois de um dia difícil e dizer:
“Amanhã eu tento novamente.”
São palavras.
Sim.
Mas são palavras que carregam direção.
E dentro de casa isso se torna ainda mais importante.
Porque nossos filhos não escutam apenas aquilo que ensinamos.
Eles escutam aquilo que repetimos.
Observam aquilo que valorizamos.
Absorvem a maneira como falamos sobre dinheiro, trabalho, dificuldades, pessoas, casamento, família e sobre nós mesmos.
Uma criança que cresce ouvindo:
“Você não consegue”
pode começar a acreditar que não consegue.
Mas uma criança que escuta:
“Tente novamente. Eu acredito em você.”
pode descobrir que fracassar não significa ser incapaz.
Pode descobrir que existe uma diferença entre errar e desistir.
Pode descobrir que uma queda não precisa determinar o lugar onde permanecerá.
Por isso, cuide das palavras que você coloca dentro da sua casa.
Não transforme o lar em um lugar onde todos precisam andar pisando em ovos.
Não faça da crítica o idioma oficial da família.
Não espere uma ocasião especial para dizer aquilo que deveria ser dito todos os dias.
Diga:
“Eu tenho orgulho de você.”
Diga:
“Vai dar certo.”
Diga:
“Eu estou aqui.”
Diga:
“Você é importante para mim.”
Diga:
“Nós vamos enfrentar isso juntos.”
Diga:
“Eu amo você.”
Talvez você imagine que a pessoa já saiba.
Pode ser.
Mas ouvir continua sendo importante.
Há palavras que sabemos e, ainda assim, precisamos ouvir.
E faça isso também consigo.
Porque existe uma pessoa que talvez esteja ouvindo suas palavras negativas há mais tempo do que qualquer outra:
você.
Não seja o seu próprio inimigo.
Você já terá dificuldades suficientes encontrando pessoas que duvidam de você.
Não seja mais uma.
Quando errar, corrija-se.
Quando cair, levante-se.
Quando perder, aprenda.
Quando estiver cansado, descanse.
Mas não faça da derrota uma identidade.
Você pode ter perdido uma batalha sem ter perdido a guerra.
Pode estar vivendo um momento ruim sem estar vivendo uma vida ruim.
Pode estar atrasado sem estar perdido.
Pode estar começando novamente sem estar começando do zero.
Você traz consigo tudo aquilo que aprendeu nas vezes anteriores.
Há uma frase que gosto muito:
“Aquilo que você fala sobre a sua vida pode não mudar imediatamente as circunstâncias, mas pode mudar a maneira como você enfrenta as circunstâncias.”
E isso já é uma mudança enorme.
Porque pessoas esperançosas não são pessoas que nunca enfrentam problemas.
São pessoas que, mesmo diante dos problemas, conseguem enxergar alguma possibilidade de amanhã.
Elas não dizem:
“Tudo está perfeito.”
Elas dizem:
“Ainda há esperança.”
E talvez seja essa uma das frases mais poderosas que alguém pode carregar.
Então, amanhã de manhã, experimente uma coisa.
Antes de reclamar do dia que começou, agradeça por ele.
Antes de falar que será difícil, diga:
“Vamos ver o que este dia pode trazer.”
Antes de dizer que não consegue, diga:
“Vou tentar.”
Antes de sair de casa, olhe para sua família.
E, se puder, diga alguma coisa boa.
Não precisa ser uma grande declaração.
Pode ser apenas:
“Tenham um bom dia.”
Ou:
“Amo vocês.”
Ou simplesmente:
“Vai dar tudo certo.”
Você talvez nem perceba o efeito daquela frase.
Mas alguém pode carregá-la durante o dia inteiro.
Profetize coisas boas.
Sobre sua vida.
Sobre sua casa.
Sobre sua família.
Sobre seus filhos.
Sobre seus sonhos.
Sobre aquilo que você ainda está tentando construir.
Não porque palavras tenham poderes mágicos.
Mas porque palavras têm consequências.
Elas podem alimentar medo ou coragem.
Podem construir esperança ou desânimo.
Podem criar distância ou aproximação.
Podem ensinar alguém a desistir ou lembrar alguém de continuar.
Por isso, escolha-as com cuidado.
E quando a vida estiver difícil, não minta para si mesmo.
Não precisa dizer que está tudo bem quando não está.
Diga a verdade.
Mas acrescente esperança.
“Está difícil, mas vamos conseguir.”
“Eu estou cansado, mas não desisti.”
“Hoje não deu certo, mas amanhã tentaremos novamente.”
“Eu não sei como resolver ainda, mas vou procurar um caminho.”
Talvez essa seja a verdadeira força das palavras:
não esconder a realidade, mas impedir que a realidade nos convença de que não existe futuro.
A vida já tem gente suficiente dizendo que você não consegue.
Já tem gente suficiente apontando seus erros.
Já existem problemas suficientes tentando convencê-lo de que desistir seria mais fácil.
Não seja mais uma voz contra você mesmo.
Seja a voz que diz:
“Continue.”
Seja a voz que diz:
“Você consegue.”
Seja a voz que diz:
“Eu acredito.”
E, dentro da sua casa, seja aquela pessoa que faz os outros saírem melhores depois de conversar com você.
Porque talvez uma das maiores heranças que podemos deixar para nossos filhos não seja uma casa, um carro ou uma conta bancária.
Talvez seja algo muito mais simples:
a certeza de que, em algum lugar deste mundo, existirá sempre uma voz dizendo que acredita neles.
Então, a partir de hoje, escolha melhor aquilo que você fala.
Quando olhar para sua vida, não diga apenas o que ela é.
Fale também sobre aquilo que você acredita que ela pode ser.
Quando olhar para sua família, não enxergue apenas os problemas.
Enxergue as pessoas que estão ali.
Quando olhar para seus filhos, não veja somente aquilo que eles ainda precisam aprender.
Veja também aquilo que eles podem se tornar.
Quando olhar para você mesmo, não conte apenas suas derrotas.
Lembre-se de quantas vezes você já caiu e continuou.
E quando o futuro parecer incerto, não o condene antes que ele chegue.
Diga:
“Ainda há muita coisa boa para acontecer.”
Porque há.
Há encontros que ainda não aconteceram.
Abraços que ainda serão dados.
Sonhos que ainda serão realizados.
Manhãs que ainda nascerão.
Risos que ainda ocuparão a sua casa.
Histórias que ainda serão contadas.
E talvez, justamente quando você pensar que já viveu tudo aquilo que a vida poderia oferecer, ela esteja apenas preparando uma nova página.
Por isso, profetize coisas boas.
Não apenas com a boca.
Com as atitudes.
Não apenas com esperança.
Com trabalho.
Não apenas com sonhos.
Com coragem.
E, principalmente, não espere que o mundo inteiro fale coisas boas sobre você.
Comece você.
Comece dentro de casa.
Comece diante do espelho.
Comece hoje.
Porque algumas palavras podem ser apenas palavras.
Mas outras podem se transformar naquilo que uma pessoa precisava ouvir para continuar.
E talvez uma das coisas mais bonitas que podemos fazer nesta vida seja exatamente essa:
usar nossa voz para lembrar alguém — inclusive nós mesmos — de que ainda existe amanhã.
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