Há frases que parecem pequenas demais para carregar grandes significados.
"O melhor ainda está por vir."
Quatro palavras que, ditas superficialmente, podem parecer apenas uma mensagem de otimismo.
Mas talvez sejam muito mais do que isso.
Talvez sejam uma declaração de resistência.
Porque qualquer pessoa consegue acreditar no futuro quando o presente está sorrindo.
O verdadeiro exercício de fé começa quando o presente está difícil.
Quando alguma coisa terminou.
Quando alguém partiu.
Quando um sonho não aconteceu.
Quando aquilo que planejávamos para a vida tomou um caminho completamente diferente.
É nesse momento que dizer "o melhor ainda está por vir" deixa de ser uma frase bonita e passa a ser um ato de coragem.
Porque o ser humano tem uma tendência curiosa de transformar o passado em medida do futuro.
"Já vivi meus melhores anos."
"Já tive minha melhor oportunidade."
"Já fui mais feliz."
"Já realizei o que tinha para realizar."
E, sem perceber, começa a viver olhando pelo retrovisor.
Talvez esse seja um dos maiores erros que podemos cometer.
O passado merece respeito.
Mas não merece governar o futuro.
Tudo o que fomos até aqui nos trouxe até este momento.
As vitórias.
As derrotas.
Os erros.
Os acertos.
As pessoas que chegaram.
As que partiram.
Os sonhos realizados.
E aqueles que ficaram pelo caminho.
Nada disso precisa ser desperdiçado.
Até os fracassos podem se transformar em matéria-prima para aquilo que ainda construiremos.
Existe uma beleza extraordinária na capacidade humana de recomeçar.
Uma pessoa pode ter cinquenta anos e descobrir uma nova paixão.
Pode ter sessenta e iniciar um projeto.
Pode ter setenta e aprender algo completamente novo.
Pode perder quase tudo e reconstruir.
Pode passar anos acreditando que determinado sonho morreu e, de repente, descobrir que apenas estava esperando o momento certo para nascer de outra maneira.
Talvez a idade não seja o verdadeiro limite.
Talvez o limite comece quando decidimos que já não existe mais nada para esperar da vida.
Porque envelhecer é inevitável.
Desistir de viver não é.
E existe uma diferença enorme entre as duas coisas.
A sociedade costuma admirar muito os jovens.
Fala de juventude como se fosse sinônimo de possibilidade.
Mas existe algo que os anos podem oferecer que nenhum jovem possui em quantidade semelhante:
experiência.
Quem já caiu sabe onde pode tropeçar.
Quem já perdeu sabe o valor de certas conquistas.
Quem já amou e perdeu sabe reconhecer melhor o amor quando ele reaparece.
Quem já atravessou tempestades aprende a não se desesperar diante das primeiras gotas.
Talvez o melhor ainda esteja por vir justamente porque agora sabemos melhor o que realmente importa.
Quando somos jovens, queremos conquistar o mundo.
Quando amadurecemos, começamos a perceber que talvez bastasse conquistar a nós mesmos.
A vida também nos ensina que o "melhor" não precisa necessariamente ser maior.
Pode ser mais profundo.
Pode ser mais simples.
Pode ser uma manhã tranquila.
Um café compartilhado.
Um abraço.
Uma conversa longa.
Um neto segurando nossa mão.
Um projeto que finalmente sai do papel.
Uma música que ainda não escrevemos.
Um livro que ainda não começamos.
Uma viagem que ainda não fizemos.
Uma pessoa que ainda não conhecemos.
Uma página que ainda não foi virada.
É por isso que ninguém deveria ter o direito de decretar que a melhor parte da vida de outra pessoa já passou.
Só o tempo sabe o que ainda está reservado.
E talvez exista uma razão para não sabermos.
Se conhecêssemos antecipadamente todas as nossas alegrias, perderíamos a surpresa.
Se soubéssemos todas as nossas vitórias, talvez não aprendêssemos a lutar.
Se conhecêssemos o caminho inteiro, talvez nunca descobríssemos quem somos enquanto caminhamos.
A vida não nos entrega o último capítulo antecipadamente.
Ainda bem.
Porque isso significa que a história continua aberta.
E enquanto estiver aberta, existe possibilidade.
Existe escolha.
Existe recomeço.
Existe esperança.
Por isso, talvez "o melhor ainda está por vir" não seja uma promessa de que amanhã será necessariamente melhor do que hoje.
Seja algo mais poderoso:
a decisão de não acreditar que o melhor já passou.
E essa decisão pode mudar uma vida.
Pode fazer alguém levantar da cama.
Retomar um projeto.
Perdoar.
Amar novamente.
Tentar outra vez.
Abrir uma porta.
Escrever uma nova história.
Porque talvez a maior tragédia humana não seja perder alguma coisa.
Seja acreditar que, depois daquela perda, nada mais poderá ser encontrado.
O futuro não nos deve nada.
Mas também não nos revelou tudo.
E enquanto houver amanhã, haverá alguma coisa que ainda não conhecemos.
Alguma possibilidade.
Algum encontro.
Alguma descoberta.
Algum sonho.
Alguma surpresa.
Algum motivo para continuar.
Então, se hoje a vida parece pequena, espere.
Se hoje alguma coisa terminou, respire.
Se hoje o caminho parece difícil, caminhe devagar.
Se hoje você acredita que já viveu os seus melhores dias, permita-se duvidar.
Porque talvez você esteja olhando para o último capítulo de uma história que ainda está sendo escrita.
E talvez, justamente na página seguinte...
esteja começando a melhor parte.
O melhor ainda está por vir.
"The Best is Yet To Come"
Guilherme Quadros
Email: gqkonig@hotmail.com
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